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segunda-feira, 17 de julho de 2017

Chegada a Budapeste e pernoite - Sarokház Panzió

O avião pousou. Descer, esperar a bagagem, trocar euros por forint... só o suficiente para o transporte, já que o câmbio no aeroporto costuma ser ruim.

Aí começou um pequeno stress: na fila havia uns turistas gritando com a funcionária, que não deixava por menos. Barraco! O que eu menos queria para estragar a viagem. Então fui tirar dinheiro com o cartão VTM num terminal de saque.


Aqui vai uma dica: a máquina tem uns valores pré-definidos, sendo o menor deles já bastante alto: 100.000 Ft, o que deu 328,76 euros (+ 2,5 euros a taxa de saque). Essa taxa estava até um pouco melhor do que encontrei em algumas casas de câmbio por aí. O problema é que, dependendo do tempo que você for passar em Budapeste (se for uma viagem de fim de semana, por exemplo), talvez não precise dessa grana toda. Outro detalhe é que o saque foi em notas de 20.000 Ft, a mais alta em circulação (aliás, não me lembro de ter visto notas de 20.000 Ft em viagens anteriores... a mais alta era a de 10.000 Ft). Seria mais ou menos como uma nota de 180 reais. Não é em qualquer lugar que você consegue trocar... e de repente eu estava com 5 notas de valor alto!

Cédulas de 5.000 Ft (modelo antigo e, abaixo, o modelo novo), 10.000 e 20.000 Ft

Eu tinha pesquisado hotéis e pousadas perto do aeroporto. Peguei um táxi (vá ao guichê de táxis oficiais!!!) e já sabia quanto ia pagar. Fiquei num local chamado Sarokház Panzió.

Aqui uma observação: embora no mapa o aeroporto de Budapeste pareça bem central, ele fica longe de praticamente tudo! Os terrenos em volta são geralmente ocupados por hipermercados, empresas de logística, companhias que precisam de terrenos grandes e próximos ao aeroporto.
O táxi até a pousada saiu por 1500 ou 1800 Ft, não me lembro.

A Sarokház Panzió tem como principal atrativo o fato de ficar perto do aeroporto e é voltado a esse público. O café é pago à parte e custa 6 euros. Os preços são referenciados em euros e você pode pagar nessa moeda. A diária para uma pessoa custa uns 30 e poucos euros.


A pousada funciona em dois casarões vizinhos. Fiquei num quarto desses que parecem um sótão. A funcionária do horário da manhã era mais simpática que a da noite, mas ambas bem profissionais e responderam rápido aos e-mails que enviei antes da viagem pedindo para fazer a reserva.

A decoração das áreas comuns é bem, digamos, curiosa e eclética. A rede wifi funcionou bem, exceto na volta (também me hospedei lá pouco antes de pegar o voo saindo de Budapeste), quando houve um problema geral na internet da região.

O café... achei que poderia ter mais variedade, mas veio num momento certo e paguei os 6 euros sem problemas. Se você vai à cidade logo cedo, talvez prefira tomar um café mais tchan em outro lugar.

Algumas fotos: 








No dia seguinte à chegada peguei o transfer para a estação Nyugati por 20 euros. É longe mesmo... mas eu poderia ter ido à estação Ferihegy e tomado lá o trem para Debrecen.

Até hoje nunca entendi como funciona o transporte entre o aeroporto e a estação... o pessoal dos cursos até costuma enviar um "manual de instruções" com essa dica, mas realmente vacilei. Falando em "manual de instruções", vejam este post com dicas de como chegar a Debrecen.


Uma dica que vejo nesses "manuais de instruções" é sobre como pegar o trem direto do aeroporto. Bem, nunca fiz isso. Sempre fiz o esquema de chegar a Budapeste, pernoitar lá e no dia seguinte ir à cidade do curso (Pécs, Szeged, Debrecen). E, se você vai sair do Brasil para fazer um curso fora de Budapeste, recomendo que considere fazer isso. Por quê?

Um estudante que saia de outro país europeu vai levar no máximo umas 3 horas para chegar a Budapeste, e terá várias opções de voo. Já quem sai do Brasil tem que pegar um voo longo, que pode se atrasar, e uma conexão curtíssima em CDG, AMS, FRA... a margem de erro é muito grande e infelizmente as empresas estão com essa tendência de vender conexões curtas. Outra coisa é que, como Budapeste não é ponto de conexão, muitos voos que costumo pesquisar chegam lá no final da tarde ou à noite (17 ou 22h). Então, se você tiver algum problema, não dá tempo de pegar o trem para a cidade aonde você vai. E ainda periga ter que pernoitar no aeroporto.

Lembrando que em 2015 o voo para Budapeste saiu com um atraso de umas 3 ou 4 horas. Então é melhor estar preparada.

Viszlát!.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Budapeste - comentários rápidos (ainda 2015) e virando a página

E aí, pessoal?
Neste post vou comentar algumas coisas rápidas sobre a passagem por Budapeste em 2015.

Fiz o curso de 3 semanas e tirei 28 ou 29 dias de férias, algo assim. Aproveitei uns 3 dias em Budapeste antes de voltar a Brasília. Não vou entrar em muitos detalhes porque a viagem foi há bastante tempo e o que não falta são blogs de viagens com muitas dicas.

Achei que tivesse comentado em algum post sobre o curso de Szeged que havia uma excursão opcional para Budapeste; bem, essa excursão é uma viagem de ida e volta no mesmo dia. A viagem de trem dura pouco mais de duas horas. Andamos um pouco na Praça dos Heróis, vimos por fora a Casa da Ópera, fomos ao castelo de Buda, andamos algumas vezes de metrô... enfim, fizemos o que é possível fazer em um dia do percurso turístico clássico Muitos lugares, como o mercado central, vimos só por fora e na correria. O que teve de diferente - pois nem todo mundo faz - foi a visita ao Parlamento por dentro.

Se você vai fazer o curso em Szeged e vai tirar pelo menos uns 2 ou 3 dias em Budapeste (provavelmente vai, já que o aeroporto é lá), sinceramente não sei se vale muito a pena esse passeio... é muito corrido. Vale pela companhia dos colegas e também se você quiser conhecer o Parlamento sem ter que se preocupar em agendar - já que a coordenação faz isso pela turma.

Quando terminei o curso, tive alguns imprevistos e precisei arrumar hotel na última hora. Era alto verão e estava na época do Festival de Sziget. Foi um sufoco e não consegui hospedagem para todo o tempo que ficaria na cidade. Tive que pernoitar num local e ir para outro no dia seguinte. Ambos ficavam fora do epicentro turístico de Budapeste. Vamos a eles:

- Jagello Business Hotel: site aqui. Situado no lado Buda (mais caro e íngreme), perto de um complexo empresarial modernoso. O foco são viajantes de negócios. Gostei da hospedagem, do atendimento e só saí porque não teria vaga no dia seguinte. Obs: o ar condicionado é central. Se ajustar a temperatura é importante para você, pese isso na sua decisão.




- Karin Hotel: site aqui. Esse hotel na verdade é uma mistura de pensão familiar, pousada e apart hotel (!). Não fiquei no casarão principal, e sim numa outra unidade que eles mantêm ali por perto. Fica em Újpest, um distrito que desconfio ter sido um município "engolido" por Budapeste durante o seu crescimento. Para ir à cidade é necessário pegar ônibus e metrô (eles dão um folheto que explica bem direitinho); ou seja, é bem longe do fuxico da cidade. Perto do metrô existe um centrinho de comércio.
Apesar dessas desvantagens do isolamento, achei um local excelente para viagens em família: tem cozinha, quarto e uma pequena sala numa região residencial. Você praticamente consegue "morar" na cidade enquanto está lá. Apenas não se esqueça de sair antes das 11, quando fazem o checkout, hehe! Ah, eles também têm transfer para o aeroporto. Sai caro - em torno de 8000 forint -, que parece ser um preço meio padrão.











Sobre os passeios: como eu já tinha feito a excursão com a turma e na verdade já tinha feito um superpasseio com algumas pessoas da família uns anos antes, aproveitei para me concentrar nas imediações do mercado e da Váci ucta mesmo. Também me juntei a dois grupos de passeios "free walking tour", naquele esquema em que você escolhe quanto pagar ao guia. São vários grupos que oferecem esse tipo de serviço:

- Free Budapest Tours: (site): tem tour geral, tour político, caminhada pelo bairro judeu, tour em espanhol... fiz o tour em espanhol sobre comunismo com uma guia chamada Martina. Recomendo!

- Free Walking Tour (trip to Budapest): site. Fiz um tour (em inglês) no bairro judeu. Hoje é um lugar hipster, com grafites interessantes. A guia era da comunidade judaica e deu uma verdadeira aula.

Embora o tour do bairro judeu tenha sido interessante, não consegui aproveitá-lo tão bem como o tour sobre comunismo: o grupo era maior e confesso que minha compreensão de inglês nem sempre ajuda. Se puder escolher entre dois tours sobre o mesmo tema - um em inglês e outro em espanhol, fico com o segundo. Além de ser mais fácil de entender (para mim), existe outra vantagem: os grupos são menores, o que facilita chegar perto do guia e escutar o que ele diz; e o grupo de turistas geralmente tem mais química, já que tem mais possibilidade de serem nativos de países que falam o idioma do tour - e com isso acaba aparecendo mais assunto. Eu mesma bati papo com um arquiteto mexicano e alguns amigos dele que também fizeram o tour comunista.

A experiência "ahn?" da viagem ficou para o pernoite que fiz no aeroporto (sim, pelo horário do voo tive que passar a noite lá) quando, escutando rádio, eis que do nada toca essa música O.O

E, falando em aeroporto, uma dica que não vi nos blogs: tem um supermercado lá! É uma unidade do Spar. Não fica no terminal dos voos internacionais, e sim no terminal 2B - no piso inferior, do desembarque. Fiquem ligados também nos horários, já que muita coisa fecha cedo por lá.

No próximo post chego com assuntos atuais e uma supresa. :-)

terça-feira, 23 de maio de 2017

Bate-volta em Subotica

Sziasztok!

Uma vez que vocês já sabem como evitar alguns apertos que passei na viagem a Subotica (perdi o único ônibus e tive que arrumar hospedagem de última hora), vamos agora falar sobre a cidade.

Subotica (Szabadka, em húngaro) é a quinta cidade da Sérvia em população. Fica em Vojvodina, cuja capital é Novi Sad (cidade de origem da representante sérvia na nossa turma). Fez parte do império austro-húngaro e tem uma parcela significativa de população de origem húngara. Parte das pessoas que encontrei lá falavam o idioma - inclusive muita gente que trabalha na rodoviária (balcões de venda de passagens e também a senhorinha do banheiro).

Logo que desci na rodô, andei meio sem rumo entre os blocões dos tempos do comunismo. Essa é uma diferença marcante entre duas cidades tão próximas: Subotica tem mais cara de "cortina de ferro" do que Szeged: prédios de governo dos anos 70, alguns carros fabricados nessa época (que saí fotografando, porque não resisto, haha!). Então vi uma torre de igreja e pensei: "o centro deve ser para lá".

Quando fui andando, vi um festival folclórico acontecendo. Já comprei uns ímãs de geladeira na feirinha e fui andando por ali. Uma mistura de novo e antigo, prédios com detalhes diferentes e interessantes. Fui atendida com simpatia pelos prestadores de serviço e achei os preços bastante acessíveis. A Sérvia passa aquela imagem sisuda, mas só posso dizer que vale a pena um passeio lá.

Da série "evitando perrengues":

- Felizmente eu estava com o cartão VTM. Não encontrei casas de câmbio abertas no centro - pelo menos nos horários e locais onde passei, e era domingo - e tive que sacar num caixa automático.

- O seguro "padrão" da April/Coris para a Europa serve para o espaço Schengen. Como a Sérvia não faz parte desse grupo, fiquei sem cobertura enquanto estive lá.

- Veja este post!!!

Da série "5 estrelas no TripAdvisor":

Boss Caffe: restaurante com comida boa, serviço rápido e preço bom. Pedi uma combinação vegetariana que me deixou de barriga cheia e custou uns 5 euros, incluindo suco.

Guesthouse Mali Hotel Subotica: precisando de um hotel de última hora, fiquei um tempo pendurada num wifi gratuito que encontrei no centro. Decidi arriscar um hotel que encontrei na net (não lembro o nome). Estavam recebendo um time de basquete para uma competição e estava cheio... perguntei se havia outro por perto e me indicaram o Mali. A dona é superprestativa. O quarto é confortável e o preço também estava bom. :-)

Uma coisa que me chamou a atenção na Sérvia foi a nota de 100 dinares, com a estampa do Nikola Tesla. Achei tão nerd, hehe!

Algumas fotos, lembrando que o Flickr tem muito mais. E espero ter uma oportunidade de voltar à Sérvia e curtir com mais calma. :-)












sábado, 20 de maio de 2017

Szeged: hospedagem durante o curso

Sziasztok!

Continuando os posts atrasadinhos sobre Szeged, aqui vou escrever rapidamente sobre a hospedagem.

Enquanto em Pécs a parceria é com o Boszorkány Kollégium, aka Boszi Koli (tem alguns posts de 2012-2013 aqui no blog), que é uma residência universitária, o curso de verão da Universidade de Szeged tem uma parceria com uma pensão, a Kálmán Panzió.

É uma pensão familiar num bairro chamado Alsóváros. O pessoal é bem simpático, tanto os donos quanto as funcionárias. Nem todo mundo fala inglês, mas tinham a maior paciência com meu húngaro macarrônico, hahaha!

Na época eu tinha feito uma resenha no TripAdvisor. Depois apaguei o perfil por lá... bem, seguem algumas fotos:





 
O local tem uma cara de "casa de vó", com papel de parede e toalhinhas de crochê - como vi em outras casas húngaras. A manutenção é boa. Tem ar condicionado, bom wifi, TV, janelão... tem também uma mini cozinha. Fiquei numa suíte individual; os bolsistas recebem hospedagem em quarto triplo.

Comparado às instalações mais espartanas e muito mais calorentas do Boszi Koli, o upgrade em conforto foi considerável. A diferença de preço também! Diárias da ordem de 10 euros no Boszi Koli contra 30 euros na pensão.

A caminhada até a universidade dá uns 30 minutos com calma. Também é possível ir de ônibus, que passa na mesma rua.

Vou escrever um pouco sobre transporte num post específico sobre a cidade.

Viszlát!


domingo, 19 de junho de 2016

Hospedagem em Medellín e comentários sobre um pouco de tudo

Olá!

Algumas pessoas já entraram em contato comigo para saber mais sobre o curso, e uma questão importante é a hospedagem.

Aqui escrevi um pouco sobre os bairros. Dependendo de onde estiver localizada sua escola de idiomas (caso seja esse seu objetivo), pode ser interessante ficar em outra vizinhança. É que algumas escolas estão localizadas fora dos bairros tradicionais que eu tinha citado no post. A Toucan, por exemplo, fica numa cidade da região metropolitana chamada Envigado; você tem até a opção de fazer seu curso numa fazenda ecológica a 1h45' de Medellín, com direito a yoga e meditação no Eco Hostel Medellín. Não tenho informação suficiente para escrever sobre essas e outras escolas, já que fiz somente o curso da UPB. Apenas fique ligado que o curso do Eco Hostel dura 2 semanas e parece mais pensado como "espanhol para sobreviventes" para falantes de idiomas não latinos.

Uma dica é ver as postagens deste blog. Apenas reforço a observação de que, como falantes de português, nossa experiência com o espanhol pode ser bem diferente dos estrangeiros de outros países. De novo: não estou dizendo que tiramos tudo de letra e somos os poderosões do pedaço. A diferença é o tipo de dificuldade que temos. Cometi muitos erros nas aulas, mas eu diria que praticamente todos esses erros tinham a ver com o portunhol. E, para iniciantes totais, o ritmo pode ser um pouco lento. No final das contas, achei ótima a experiência de ter estudado junto com nativos de outros idiomas, porque é uma troca cultural bastante rica e porque me fez refletir sobre meu processo de aprendizado aqui no Brasil.

Voltando à hospedagem: fiquei no bairro Belén Rosales, num local chamado International House Medellín. É um prédio de 4 andares com uma cobertura que tem cozinha coletiva e uma bela vista, com uma boa área para curti-la. O local é administrado pelo proprietário, o americano Joel, e pela colombiana Leidy. Às vezes aparece o fofo recepcionista canino Basco, um poodle gigante.

Basco S2
 
Fiquei num quarto individual com TV e ventilador. Banheiro compartilhado. Achei o custo-benefício muito bom. Adiantei 10 diárias pelo PayPal.

O acesso aos andares é feito por senhas e, para entrar no prédio tem leitura da digital. Meu indicador direito nunca é lido nesses trocinhos, de forma que cadastrei o esquerdo.

A questão é que fiquei lá durante um período de reforma, com pouca gente hospedada no local e um pouco de bagunça típica de serviços de construção. Como foi uma situação excepcional, não tenho muito como explicar sobre o funcionamento do local no dia-a-dia. Recomendo que pesquisem os comentários no TripAdvisor e Hostelworld - não só para o IHM, mas para qualquer hostel. Uma dica é: para todos eles - mesmo para os que tenham excelentes notas no cômputo geral - dê uma olhada nos porquês dos reviews negativos. Todo lugar com muitos reviews vai ter algum assim. Em alguns casos a pessoa teve azar e aquilo foi uma exceção; em outros, o viajante é chato mesmo (vale conferir outros reviews do usuário); mas, por fim, existem aqueles casos em que as críticas convergem. Se envolverem questões sérias de segurança, por exemplo (caso de hostels em que qualquer pessoa de fora tem acesso à área dos quartos), penso seriamente em descartar o local mesmo que a nota geral seja boa. 

No caso de hostels/albergues é importante ter um olho crítico sobre comentários na internet, mais até do que quando buscamos avaliações de hotéis e pousadas. Isso porque os hóspedes desses lugares têm expectativas e perfis muito diferentes. Uns querem socializar e outros querem uma cama para dormir entre um passeio e outro.

O Medellín Living tem também alguns posts sobre hostels. O mais recente, de 2012, foi atualizado em 2015. Servem como referência (na verdade me assustei com alguns comentários), mas pelo que está me parecendo são mais party hostels: aqueles albergues que promovem festas e eventos para os hóspedes. Particularmente sou mais conservadora: hotel, pousada e albergue (para mim) são lugares para dormir. Barulho à noite, tô fora. Mas tem gente que viaja procurando agito e para esses pode ser interessante.

Já que estou escrevendo sobre esse tema: a verdade é que existem aqueles que viajam à Colômbia e à América do Sul com a ideia de chutar o pau da barraca e muitas vezes agir na ilegalidade. Ou ao menos tentar descobrir mais sobre ela - tanto que existem tours temáticos sobre Pablo Escobar, por exemplo. Lembro quando ele ordenava atos brutais e depois, quando foi morto; confesso que nunca tive grande curiosidade a respeito. A gente já lê tantas notícias sobre traficantes ostentando em festas e ordenando execuções por celular nos presídios... a diferença sem dúvida foi a dimensão do poder que ele teve.

Se alguém vai à Colômbia atrás de sexo, drogas e rock & roll vai encontrar. Quem procura, acha. E se alguém vai atrás de aprender espanhol, ouvir uma grande variedade de músicas (inclusive rock & roll, por que não?), provar comidas diferentes, conhecer aspectos culturais de um país ao mesmo tempo diferente e parecido com o nosso, etc... sem sequer se lembrar de que um dia Pablo Escobar passou sobre a Terra... acredite, é possível e foi o que aconteceu comigo. Se você que está lendo estas maltraçadas é um leitor, e não uma leitora, e se tiver jeitão de turista, é possível que receba sim alguma oferta de algo ilegal. Comigo não aconteceu.

Essa discussão sobre o passado é forte na Colômbia. Uns dizem que é preciso relembrar para que não se repita (e aí surgem as narconovelas, livros, etc) e outros dizem que é preciso seguir adiante e livrar-se do estigma. Não saí cutucando feridas. Apenas fiquei de ouvidos abertos para aqueles que se dispuseram a comentar esse tema e vi que é difícil. E embora não tenha feito tours sobre narcotráfico (não senti nenhum apelo para fazer isso, mas respeito quem tem essa curiosidade), visitei o Museu Casa de la Memoria e pude aprender um pouco mais sobre algumas feridas que eles tentam cicatrizar. Pretendo escrever outros posts sobre museus e passeios, OK?

Retornando um pouco ao assunto hospedagem: nem todos viajam a Medellín para mergulhar na vida loka - aliás, no meu curso não encontrei pessoas que parecessem estar dispostas a isso. Porém, não custa avisar: pelo que diz o estudo da UNODC, alguns ambientes foram pensados para esse perfil. E, se não é o que você está procurando, ou se você não é daqueles mochileiros super desencanados do que os companheiros de albergue fazem... possivelmente vai achar a atmosfera tensa e pesada. Então pesquise bem sobre o local onde quer se hospedar. E, quanto a esse aspecto, achei o International House um local bem tranquilo.

Até o próximo post!


sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Hospedagem em Cartagena: em que bairro?

Antes de escrever qualquer coisa, vou postar um print bem tosquinho do Wikimapia ilustrando os bairros. O aeroporto fica ao norte e não aparece na figura.
 Print tosquinho dos bairros de Cartagena - clique para ampliar

A cidade amuralhada, ou cidade murada (vou usar os dois nomes indistintamente aqui no blog) é a parte de Cartagena cercada pela muralha [ooohhh!] que inicialmente tinha por função proteger a cidade da força das marés [informação passada por um guia no city tour] e, posteriormente, das invasões de piratas. Cartagena era um dos principais portos de saída das riquezas produzidas no império colonial espanhol. Os piratas ingleses e franceses estavam de olho e não hesitavam em atacar a cidade.

Pois bem, a cidade murada é a região que destaquei com um polígono amarelo na figura acima. Compreende os bairros Centro e San Diego. É a grande atração de Cartagena: praças, ruas estreitas com casas coloridas... o local respira história. Esse bairro abriga muitos hotéis boutique, albergues, além dos mais famosos restaurantes e praticamente todos os museus.
 Plaza de la Aduana num dia nublado
Uma das ruazinhas da cidade murada e seus turistas

El Cabrero e Marbella ficam mais ao norte e estão marcados pela cerquinha acinzentada no print do Wikimapia. A avenida principal é a Santander, à beira-mar. Nela e nas proximidades há alguns hotéis e pousadas. Não são muitos: é a opção de hospedagem que menos vi comentada nos blogs e sites por aí.

Ao sul, ao longo de uma península (cerquinha marrom no mapa), vemos o bairro de Bocagrande. A avenida principal é a San Martín. Essa parte da cidade tem duas orlas: a Carrera 1, voltada para o oceano, e a av. Córdoba, voltada para a baía de Cartagena:


Bocagrande, El Laguito, Castillogrande - abstraiam o mapa desalinhado! Google Earth tem dessas coisas

Bocagrande, avenida (ou rua?) Córdoba

Bocagrande, av. San Martín em mais um print do Streetview (quem mandou não tirar mais fotos?)

Vi muitos sites tratarem de Bocagrande como um bairro que parece Miami. Como não conheço Miami, fica difícil comparar. É um bairro moderno; prédios residenciais altos (20 a 30 andares), shoppings, lojas e vários hotéis. Tem também as praias dos dois lados da península. 

El Laguito: tão pequeno no mapa que nem sei se é considerado um bairro... basicamente ele faz a transição com Castillogrande - este é um bairro mais residencial, também com muitos apartamentos de temporada. 

Finalmente, olhando de novo para o print do Wikimapia, vemos a região marcada em azul: La Matuna e Getsemaní. O bairro de La Matuna é bem pequeno e acaba meio "engolido" pelo irmão maior: Getsemaní é um bairro com muitos albergues e hotéis mais baratos que os localizados no centro histórico.
Getsemaní, perto do centro de convenções


Getsemaní é um bairro que divide opiniões: uns dizem que é perigoso e mulheres sozinhas não devem andar por lá. Outros dizem que é um bairro mais pobre, porém uma boa opção pelos albergues mais em conta e pela vida noturna. Tem um certo "glamour decadente", como se vê nas fotos. É um bairro com um caráter comercial bem forte e parece que algumas ruas ficam desertas à noite ou com um movimento meio "estranho". Não circulei muito por lá (só no ônibus do city tour) e não tenho como dar mais detalhes.

Agora vamos tentar dar algumas pistas sobre a pergunta que dá título ao post: afinal, onde se hospedar?

Li em muitos sites e artigos que o viajante tem que ficar na cidade murada. "Nem pense em ficar em outro lugar! O charme de Cartagena é a cidade murada", e por aí vai.

Não concordo com esse radicalismo: coisa mais autoritária! Pois na minha opinião, a resposta é: depende! :-/  

E depende de quê? Do seu bolso, das suas expectativas e do seu estilo de viagem. Vou dar algumas das minhas impressões e espero que sejam úteis se algum candidato a viajante aparecer por aqui. Mas lembre-se: viagem é uma coisa muito pessoal. Se todos fizessem o mesmo roteiro, ficassem nos mesmos lugares, etc, ainda assim cada um experimentaria a viagem de uma forma.

Eu, por exemplo, fiquei em Bocagrande e adorei! O bairro foi consequência da escolha do hotel, que tinha boas referências no TripAdvisor e estava com bom preço. Não acho que tenha aproveitado menos a viagem por ter ficado lá. Mesmo porque, com 20 a 30 minutos de caminhada, eu já estava no centro (fiquei num hotel perto da Base Naval). Por outro lado, quem fica mais perto do Hilton vai depender de táxi, que é um transporte barato na Colômbia de forma geral.

Aí entra o seu perfil: se você é uma pessoa "noturna", que quer andar no máximo dois quarteirões da balada até a cama, a cidade murada (talvez também Getsemaní) é realmente a melhor opção. Bocagrande tem alguns cassinos, mas lugar de diversão mesmo eu não vi.

Já eu sou uma pessoa "do dia": de manhã e à tarde eu andava no centro histórico e à noite tudo o que eu queria, com meu desastroso senso de orientação, era andar numa avenida reta e localizar restaurantes, supermercados, etc com a maior facilidade. Acho que esse foi um dos motivos que me fizeram gostar de ter ficado em Bocagrande.

Por outro lado, a proximidade da praia não chega a ser uma vantagem: as praias urbanas de Cartagena, de modo geral, não são muito atrativas: faixa de areia estreita, muitas pedras, muitos vendedores...

Em Getsemaní, como já citei no post, as maiores discussões são sobre a segurança. Vale pesquisar, pois dentro do mesmo bairro as realidades podem ser bem diferentes. Recomendo conferir o TripAdvisor e também este tópico no Mochileiros sobre hospedagem em Cartagena. Foi criado em 2010 e muita coisa mudou; vale ver as diferentes experiências dos viajantes.

El Cabrero e Marbella eu realmente não recomendaria muito: tive a impressão de serem bairros "de passagem", pouco amigáveis a pedestres e com poucas opções de comércio.

Outra coisa que, pelo que andei lendo no TripAdvisor, eu não aconselharia: pegar sistema all inclusive em Bocagrande. Já li relato de gente que fez isso por insistência do agente de uma CVC da vida. Alguns hotéis no bairro trabalham com turismo de massa (ao contrário dos hotéis na cidade murada, que são menores) e muitas vezes a alimentação é ruim. E o principal: Bocagrande tem muitas opções de alimentação (não tanto estabelecimentos gourmet, como na cidade murada; aqui são mais lojas de rede) e é tranquilo para andar à noite. Por que você vai perder a chance de explorar essas opções e ficar preso à comida do hotel? 

Como falei: viagem é uma coisa muito pessoal e o all inclusive pode realmente ser uma comodidade... mas, nesse caso, pesquise os relatos sobre a qualidade do rango, OK?

Por enquanto é só. Até a próxima!













quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Alguns comentários sobre o hotel

Cheguei ao Hotel San Martín lá pelas 13h; antes do horário do check in, que o voucher da Decolar indicava como sendo às 15h.

Eu estava meio insegura com a reserva (pré-paga!) pela Decolar, depois de ver algumas histórias em que o viajante chegava e ninguém no hotel estava sabendo da reserva. Mas a recepcionista pegou o papel e pediu que esperasse 20 minutos, quando o quarto ficaria pronto. Fiquei esperando na recepção até que um dos funcionários pegou minha mala, minha mochila (não estou acostumada a essas mordomias) e fomos ao quarto no segundo piso. Lá ele fez uma espécie de "briefing": mostrou os controles do ar e da TV, o cardápio do frigobar, explicou o mecanismo do cofre e fez uns testes rápidos em alguns equipamentos para mostrar que estavam funcionando. Mesmo no Hotel Aquino, onde eu tinha ficado em Berlim (e em outros hotéis bons onde já pernoitei, paga pelo meu antigo emprego!) eu não havia recebido esse tratamento. Lá era mais "se vira" - apesar de ser um hotel de padrão um pouco mais alto em termos de conforto.
A bonita aqui não tirou foto... para não ficar um post longo sem nenhuma figurinha, vai um print do Streetview

O San Martín tem cara de recém-reformado, ar condicionado e frigobar silenciosos, TV moderna, rádio-relógio, secador, cama muito confortável... não é luxuoso (o padrão é 3 estrelas), mas é confortável e muito bom naquilo que se propõe. O café é "buffet" (entre aspas porque você indica o que quer e os funcionários vão colocando) e começa a ser servido às 6:30. Os pontos não tão positivos são o wifi, que lá pelas tantas não queria mais funcionar no meu quarto (uma rede aberta desconhecida foi a solução - meninos, não façam isso em casa!) e o banheiro sem janela nem exaustor. Com várias pessoas num mesmo quarto, isso pode ser um problema! :-D

Pelo menos no meu quarto, o banheiro ficava uns 12 cm acima do nível da cama. Isso pode também ser uma dificuldade para quem precisa de um quarto mais acessível.

Uma reclamação que vi bastante sobre hospedagem em Cartagena foi sobre cheiro de mofo nos quartos. O clima quente e úmido não facilita! Mas esse foi um problema que não encontrei no San Martín. 

Outra coisa comum nos hotéis de lá é o café da manhã com opções fechadas. Isso pode ser um problema se você, como eu, não é fã de ovos, omeletes e afins. Essa é uma das bases do café da manhã na região. Então o esquema buffet do San Martín acabou sendo mais uma vantagem no meu caso. Eles até servem ovos mexidos preparados de várias formas, mas você pode simplesmente pegar outras coisas - embora a variedade não seja gigante, atende a necessidade.

Gostei demais da equipe do San Martín: não é à toa que o atendimento deles é um dos itens mais elogiados no TripAdvisor. Estão sempre ligadíssimos. O portão de entrada tinha uns truques para abrir - mas o rapaz da portaria já estava ligado se alguém tivesse alguma dificuldade. Superprestativos para tirar qualquer dúvida. Um esquema eficiente, mas sem ser robotizado. Senti-me bem acolhida, e com certeza isso foi importante para minha viagem. Enfim, eu ficaria lá outra vez sem piscar!

Gente, esse não é um post patrocinado (até porque ninguém ia querer patrocinar um blog humilde e bissexto como o meu, haha!). É que gostei mesmo, e vale a pena falar de coisa boa além da Tek Pix.

Até o próximo post!