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segunda-feira, 8 de maio de 2017

Semana da Europa e festival de cinema


Sziasztok!

Esta semana começa a 13a. edição da Semana da Europa, com eventos em várias cidades brasileiras.

Um evento tradicional em Brasília é o bazar europeu, na Cultura Inglesa (709/909 Sul), que este ano será realizado no sábado, 13/05. Tem algumas apresentações e barraquinhas de comida com pratos típicos deliciosos. A dica que dou é chegar entre 11 e 12h, por aí. O ruim é que nem tudo vai estar pronto. O bom é que você vai conseguir circular. Se deixar para chegar muito tarde, o visitante fica preso no meio da muvuca... realmente o espaço da Cultura ficou apertado para o evento.

Em outras edições era realizada uma corrida no dia do bazar. Os inscritos concorriam ao sorteio de uma passagem para qualquer país europeu. Este ano não consegui descobrir nada sobre isso no site.

Bem, vamos às informações que recebi por e-mail sobre o representante húngaro no festival de cinema:

Mamãe e outras figuraças da família (título em húngaro: Anyám és más futóbolondok a családból) no quadro do Festival de Cinema Europeu, organizado pela EUNIC Brasil – Associação dos Institutos Culturais, Embaixadas e Consulados de Países Membros da União Europeia.). O filme será projetado em húngaro, com legendagem em português.

Data: 13 de maio, 21 horas
Lugar: Cine Brasília (EQS 106/107)

Sinopse: O filme apresenta a história de quatro gerações de mulheres durante o século XX. A protagonista, durante os seus 94 anos de vida, se mudou 27 vezes, sempre fugindo das vicissitudes da história que a Hungria atravessou, entre elas, guerras mundiais, tratados de paz, revolução. Apesar das constantes mudanças, porém, a família é capaz de manter o bom humor, seguir forte e enfrentar qualquer desafio - o mundo muda, a família é para sempre.

Mais detalhes sobre o filme aqui: https://www.semanadaeuropa.org/mamae-e-outras

E aí? Eventos culturais e ainda de graça... bom demais, não?

sábado, 6 de maio de 2017

Duna Casa Húngara: confeitaria húngara em Brasília

Edit (03/08/2017): domingo passado a Revista do Correio publicou uma reportagem sobre a Duna. O fato é que o número de acessos a este post aumentou bastante. Aqui vai o link da matéria para quem não viu. Vale a pena ler!
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(Voltando ao post...) 
É emoção demais, gente!

Há poucos anos os espaços de comilança em Brasa city começaram a ficar mais diversificados: restaurante marroquino na Asa Sul, confeitaria argelina no Lago Sul, vários restaurantes indianos...

... e, entre tantas novidades, agora temos uma confeitaria húngara! \o/

Sim, você leu direito. É a Duna Casa Húngara, na 214 Norte (veja o endereço completo clicando a segunda figura deste post). Hoje fui lá conferir.

A loja é pequena e fica no cantinho do bloco. Quem está na porta tem a visão do Banco do Brasil em frente e da residencial no lado direito. O pessoal é bastante simpático e tem a maior disposição para explicar tudinho. A proprietária, Gabriela, é descendente e fala o idioma.

E o que vendem lá? Pogácsa, croissant, doces de massa folhada, torta Esterházy, Dobos torta, etc.

Provei uma tortinha de ricota com geleia e um espresso. Aqui a prova do crime:


Para quem gosta de doces com um toque azedinho, essa é a dica

O restante das informações, inclusive horário de funcionamento, você confere na página deles no Facebook: https://www.facebook.com/dunacasahungara/?rc=p


Se você mora em Brasília ou está passando por aqui, não deixe de conferir! Depois você queima as calorias no Parque Olhos d'água, que é bem pertinho.

Até mais!

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Lobo Fest – 9º Festival Internacional de Filmes Curtíssimos - Cine Brasília

Olá, pessoal!

Mais um post relâmpago. Será que dá tempo de alguém ver?...
Amanhã, 20/04, tem abertura do Lobo Fest. Confesso que nem conhecia esse festival. Vai ser no Cine Brasíia, EQS 106/107, às 20h.

Tem um curta metragem húngaro! Mindenki, de Kristóf Deák, vencedor do Oscar 2017. A cena inicial me deixou bastante curiosa: 
 
E um detalhe: "após a sessão, será servido um coquetel no foyer do cinema onde poderão experimentar deliciosos vinhos e salgadinhos húngaros." :-D

Mais informações na página do festival: http://lobofest.com.br/programacao/programacao-dia-20-de-abril/ (informações sobre a abertura); http://lobofest.com.br/o-festival/ (geral)

Esta matéria dá mais informações. Pelo visto é um festival itinerante: http://brasilia.deboa.com/cultura-esporte/lobo-fest-9o-festival-internacional-de-filmes-curtissimos

#ficadica :-)

 

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Minha saga com as arepas

Pessoal, termina aqui a série de posts sobre minha saga colombiana. Vou tirar uns dias sem postar e depois retomo a programação interrompida do blog, inclusive sobre o curso de húngaro. Beleza?
  
Comentei um pouco sobre as arepas aqui. A pergunta era: como fazer quando voltasse ao Brasil?

Esse prato típico é feito com um produto chamado masarepa, que nada mais é do que farinha de milho pré-cozida. A marca de masarepa mais conhecida é a Harina PAN. Confiram:


Prazer, Harina PAN

Primeiro abri o pacote de harina pan integral. Segui as instruções da embalagem: 1 xícara de harina pan, 1 1/4 xícara de água. Deixei descansar uns minutos e tentei moldar as bolinhas para achatá-las em seguida e fritar numa frigideira anti-aderente.

Fuén fuén fuén fuén fuén... as arepas ficavam molengas em cima e queimavam embaixo. Quebravam na hora de virar, um desastre total.

Resolvi fazê-las no forno. Amenizou um pouco. Então encontrei uma dica no Youtube: para deixar a massa menos grudenta, o truque é reduzir a quantidade de água. Passei a usar 1 xícara de água para cada xícara de harina pan. Melhorou bastante.

Acabou a harina pan integral e passei a usar a branca. Aí outra descoberta: a harina pan branca é bem mais fácil de manusear. Consegui moldar as arepas com mais facilidade, embora elas continuem com uma aparência meio tosca. Outra coisa interessante é que, com a massa branca, a arepa tende a formar uma espécie de bolha e fica com a divisão interna como um pão sírio (a foto explica melhor):


A arepa forma uma espécie de bolsa

Essa chapa perfurada (parrilla de arepas) foi comprada no Éxito
 Frigideira levemente pincelada com óleo, só para garantir. Se a sua tiver o anti-aderente em dia, não precisa
 

Ficou assim porque sou fã de comida queimadinha

Ah, mas aqui não se vende harina pan. E agora?
Uma dica que me deram: milho para canjica triturado. Ainda não testei.

Outra dica, e essa vai para os moradores de Brasília: os meninos da Boa Cozinha Colombiana participam de eventos (praças de food truck, festas juninas, etc) vendendo arepas recheadas. Você também pode comprar arepas simples para depois esquentá-las em casa. Basta fazer o pedido pelo Whatsapp.

Vale a pena ler também este artigo sobre a comida colombiana e uma cozinheira que vende suas especialidades em São Paulo.

Vou tirar uns dias sem escrever e depois volto com novos e velhos assuntos. Até mais!




segunda-feira, 12 de maio de 2014

Festival de Cinema Europeu no CCBB

Uma dica para quem gosta de cinema é o Festival de Cinema Europeu no CCBB (informações também no site do CCBB), que faz parte da programação da Semana da Europa. O festival teve início no último dia 7 e vai até 18/05). Cada filme tem duas exibições. A entrada é gratuita; basta pegar o ingresso. A distribuição começa 1h antes do início da projeção.

Em tese (eu disse: em tese!), o mote das produções é o esporte. Ele pode ser um elemento central ou um detalhe no pano de fundo. Mesmo assim, achei que em alguns casos essa relação com o esporte ficou meio forçada. Isso aconteceu na produção tcheca "Altos e baixos", que vi hoje, e talvez de certa forma no húngaro "Sangue nas águas". Vou escrever posts específicos sobre esses filmes, beleza?

Antes de cada filme está sendo mostrado esse vídeo contra o uso de celular ao volante. Achei genial e vi que o público reagiu.

Quero postar em breve sobre os filmes. Agora o sono não deixa... :-(

sábado, 7 de dezembro de 2013

[Post relâmpago] Material de húngaro em Brasília (ou quase isso) e aviso aos visitantes

Siasztok!

É, gente... ainda não consegui voltar a postar no ritmo em que gostaria. :-(
Questões do trabalho e de família. Acho que até perto do Natal vai ser meio difícil aparecer por aqui.

Hoje o post é quase de utilidade pública, considerando as buscas que trazem a maioria dos visitantes ao blog: passeando na Livraria Cultura do Iguatemi, em Brasília, vi um livro de Francês da Assimil voltado a falantes de húngaro! Quase não acreditei, deu até emoção. Nunca vi até hoje material de/em húngaro sendo vendido aqui em Brasa city.

Enfatizando: o livro é voltado a falantes de húngaro que querem aprender francês, OK? Tem lá os textos em francês com as traduções e explicações em húngaro.

Acredito que o caminho inverso também possa ser feito: se você entende francês e lê os textos, pode explorar a parte em húngaro.

Perguntei a um dos vendedores como aquele livro poderia ter parado lá. Ele disse que a série Assimil é bastante popular e alguém pode ter feito uma encomenda. [E nesse caso será que a pessoa desistiu? Os livros encomendados ficam num setor separado. Ou será que o livro veio por engano?]

Enfim, achei interessante avisar. Estava por R$93, sorrindo para mim na seção de livros de idiomas, junto com os livros de francês. Não comprei por restrições orçamentárias, mas a tentação foi grande. Atualização (09/12/2013): voltei lá e comprei o danado do livro! :-)

[Não tenho nenhum livro da série Assimil. Vejo uma boa variedade deles na Cultura e na SBS. Sobre a metodologia, algumas observações aqui]

domingo, 19 de maio de 2013

Andei lendo: "Renato Russo - o filho da revolução", de Carlos Marcelo


De repente está todo mundo falando sobre o Renato Russo: livro (esse que vou comentar no post), filmes - Somos tão jovens e Faroeste Caboclo... interessante que nem estamos numa data redonda, como "10 anos sem Renato Russo" ou algo assim.

[Edit (13/09/2017): De repente este post se tornou um dos mais lidos do blog. Será por causa das referências do livro a um político baiano que estudou no Maristão e está no centro do escândalo das malas?]
 
Pois bem. Estava eu na livraria Saraiva, trilili tralalá, sem intenção de comprar nenhum livro para se juntar aos muitos que já estão me esperando em casa. :-(   Então esse ficou sorrindo para mim. Folheei, vi referências à Brasília dos anos 80 (cenário da minha infância e adolescência) e, entre outras coisas, descobri que a diretora da Cultura Inglesa da época em que Renato Manfredini Jr. dava aula foi a mesma que depois aplicaria minha prova de nível quando fui fazer curso lá. Mundo pequeno... enfim, a curiosidade falou mais alto e, por R$60, um exemplar era meu.

O autor, fã da Legião, chegou a Brasília na adolescência. Jornalista, trabalhou no Correio Braziliense. Esteve no famoso show do Mané Garrincha em 1988, o último da banda em Brasília. Percebe-se que entrevistou muita gente e fez uma pesquisa bastante detalhada: infância, adolescência, fatos menos conhecidos... o autor apresenta também dados da biografia de outros participantes da cena roqueira de Brasília do final dos anos 70/início dos 80 e procura situar o leitor na atmosfera daqueles dias. Às vezes dá até a previsão do horóscopo para algumas datas importantes (o Renato era interessado em astrologia e isso nos coloca no clima da biografia).

Também tem muitas referências ao contexto político e cultural. Não sei se quem não viveu aquela época e local vai se situar em todas elas. Por exemplo: num trecho o autor diz que uma jovem cantora, Zélia Cristina, apresenta-se na Sala Funarte. Zélia Cristina ficaria  conhecida depois com o nome de Zélia Duncan, mas não tem nenhuma notinha de rodapé sobre isso. Talvez tenha sido proposital para evitar o excesso de didatismo, mas o leitor pode ficar meio perdido - ainda mais porque não tem índice remissivo. Minha mãe leu o livro antes de mim e disse que se atrapalhou com tantas referências, mas nem por isso deixou de gostar do livro.

O estilo é fluente. Às vezes mais literário, às vezes mais jornalístico. O período coberto com mais detalhe vai da infância do biografado (principalmente a partir de 1973, por aí) até o final dos anos 80. Um capítulo vai para o show no Mané Garrincha. A partir daí parece que a escala de tempo muda e as coisas se passam mais rápido até a morte do Renato, em 1996. A deterioração da saúde com a dependência química e o HIV, a carreira solo, o filho (que ele e a família sempre preservaram, é verdade, e estão certos!)... se você tem mais curiosidade sobre essa fase, vai se decepcionar.


Resumo da ópera: se você quer entender a formação do Renato Russo, as influências que ele recebeu, a formação da Legião e do rock nacional daquela época (principalmente as bandas de Brasília), esse livro é fundamental. Se quiser uma reconstitução da época, também. Viu o filme Somos tão jovens e ficou boiando? Mais um motivo para ler o livro. Algumas coisas mostradas "de raspão" no filme são mais explicadinhas aqui. Recomendo!

Ficha técnica:
Marcelo, Carlos. Renato Russo: o filho da revolução. 2a ed. Rio de Janeiro: Agir, 2012. 416p.

Obs: descobri pela net que existe uma edição publicada pela Ediouro em 2009. Para quem quiser ver um trecho: http://www2.ediouro.com.br/200905/renatorussoolivro/downloads/trecho_renatoruso.pdf

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Cursos de húngaro, convênios, etc - organizando

Como os posts sobre cursos de idiomas e outras oportunidades de estudos estão espalhadas em vários tópicos, resolvi criar este índice para tentar colocar um pouco de ordem no galinheiro. Vamos lá:

- cursos de húngaro no Brasil: aqui
 
- Cursos de húngaro na Hungria: Pécs, Debrecen, outras (ILC, Ulysses, Szeged, Pázmány Péter, Eötvös Loránd, Instituto Balassi).

- Cursos de húngaro em outros países: aqui

- Cursos intensivos de idiomas na Europa (não somente húngaro!): aqui o post sobre o EILC.

- Cursos regulares de outros idiomas no Brasil:  se você gosta de idiomas "menos convencionais", pode tentar o Serviço de Cultura e Extensão da FFLCH - USP (São Paulo) ou a UnB Idiomas, em Brasília, que está com cursos novos - por exemplo, coreano e esperanto - e abriu oferta adicional para o 2° semestre/2012.

- Bolsas, convênios e intercâmbio na Hungria e em outros países da Europa: aqui

- Sites de referência (exercícios online, dicionários, etc): aqui 





quinta-feira, 12 de julho de 2012

Mensagem do dia

Essas fotos foram tiradas na SQN 216. O horário não estava muito bom para fotos e eu estava com pressa... pena, pois é uma quadra que rende fotos interessantes.




Achei meio psicodélico e confesso que não entendi muito bem a proposta da figura (tá, gente, sou meio ogra!)... mas o artista caprichou e vale o registro!

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Aleatórias na UnB - o retorno

A florada dos ipês está terminando. Aguns teimosos ainda exibem suas flores na cidade:
Também registrei alguns grafites:
A primeira foto foi tirada perto da agência do Banco do Brasil e a segunda, em frente aos prédios Multiuso - que, por sinal, estão com uma cara bem maltratadinha e isso fica mais evidente quando olhamos os prédios modernosos que estão sendo construídos na UnB.

Tenho a impressão que, de uns 15-20 anos para cá, a cidade está menos pichada e mais "grafitada". Será?

terça-feira, 3 de julho de 2012

Coisas da Terra - almoçando na UnB

Hoje de novo tive prova na UnB em horário de almoço. O campus está quase vazio por causa da greve, mas o calendário dos cursos de extensão não foi afetado. Pelo menos o que estou cursando!

Aproveitando o pouco movimento, consegui almoçar num dos meus locais preferidos do campus: o restaurante Coisas da Terra, no subsolo do Minhocão (Ala Norte). Eles têm refeições e salgados para onívoros e naturebas sem muito xiísmo. Um quibe de soja aqui, uma esfiha de espinafre com ricota ali... e a maravilhosa torta vegetariana:
Essa torta de massa integral e recheio de berinjela, abobrinha e tomate é uma delícia e, para mim, serve como almoço. Se a fome exigir mais alguma coisa, tente a salada de frutas.

Já que descrevi o recheio da torta (como se vocês não tivessem visto a foto!), um comentário: semana passada pedi torta vegetariana e veio recheada com batata, cenoura e um tico de vagem. Foi a única vez. Todas as outras vezes veio a torta aí da foto.

Não sei se esse restaurante tem alguma relação com o Coisas da Terra do Setor Comercial Sul. Na verdade encontrei poucas informações na internet. Resenhas aqui e aqui. Só fiquem espertos com os preços, pois esses depoimentos são de alguns anos! Paguei R$ 6,80 pela dupla torta + suco.

Bom apetite!

sábado, 30 de junho de 2012

Exposição Índia! no CCBB

Que tal um passeio de tuk-tuk?


Tuk-tuk, riquixá e outras coisas interessantes podem ser vistos na mostra sobre a Índia que está acontecendo no CCBB até 29 de julho. Mais informações aqui. São cerca de 350 objetos e, segundo os organizadores, essa é a maior exposição sobre cultura indiana já realizada no Brasil. Filmes, fotos, trajes típicos, cartazes de filmes bollywoodianos... muita coisa interessante. Vale a pena conferir. A exposição está sendo realizada de terça a domingo, das 9 às 21 horas.

Obs: Não, não é permitido entrar nos veículos!

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Fotografando a cidade: SQN 405

Tirei essas fotos no início da semana e ainda não tinha conseguido colocá-las aqui no blog! Esse tipo de post com muitas fotos dá um trabalho razoável. O post sobre a SQN 302 não me deixa mentir.

As quadras 400 não estavam previstas no plano inicial de Brasília. Diferentemente das quadras 100, 200 e 300 - cujo gabarito padrão é seis andares - as 400 são formadas por prédios de três andares, geralmente sobre pilotis (os prédios JK ou IAPI, construídos em algumas quadras da Asa Sul, têm primeiro andar térreo e fogem ao padrão do pilotis).

Diz a lenda que os prédios das 400 tiveram o gabarito reduzido para não tirar dos outros moradores a visão do lago Paranoá. Eles seguem o chamado padrão "econômico": geralmente sem garagem nem elevador, área privativa em torno de 50 a 70 m² (os de dois quartos) ou 65 a 90 m² (os de três quartos). Existem alguns quarto e sala, mas acho que a maior parte é 2/4 mesmo - às vezes com o "terceiro reversível". Vou falar sobre isso mais adiante.

A questão é: o preço de venda de um apartamento no Plano Piloto (não conto os lançamentos, que praticamente não existem) está em torno de R$8.000 a R$9.000 o metro quadrado. O resultado é que esses imóveis, que um dia foram considerados "econômicos", hoje têm um preço de venda bem pesado. Como a alta dos preços é algo recente (de uns 4 anos para cá), o perfil dos moradores é variado: novos moradores com renda média/alta, pioneiros/aposentados (muitas vezes com perda de rendimento depois da aposentadoria), os filhos desses pioneiros, etc.

As quadras 403, 404, 405 e 406 são as mais antigas da Asa Norte. Foram construídas pelo Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários (IAPC) entre 1957 e 1959. Os prédios, construídos pela empresa Capuá e Capuá, têm apartamentos de dois quartos mais um reversível. Peguei essas informações em [1] (no final do post).

Quanto à posição dos blocos a quadras 403 e 404 são simétricas, assim como a 405 e 406. Os conjuntos 403-404 e 405-406 têm o mesmo posicionamento de blocos e desenho de arruamento. São 16 blocos residenciais em cada quadra.

Então vamos às fotos! Elas ampliam se clicadas.

Na figura abaixo, a banca de jornal logo na entrada da quadra. O dono percebeu que eu estava fotografando e fez uma cara meio desconfiada. Ao fundo, a Escola Classe 405 Norte:
Estacionamento entre os blocos G e H, perto da entrequadra comercial. A arborização é típica das quadras mais antigas de Brasília:
Outra do mesmo estacionamento, com destaque para os equipamentos de ginástica e a quantidade de carros:
Uma questão polêmica é a dos carros abandonados que podem ser vistos em algumas quadras. Quem resolve: Detran ou Administração Regional? Discussão eterna:
Abaixo vemos a fachada posterior do bloco I e a lateral do bloco H. Destaque para as janelas: no bloco I, um morador do terceiro andar trocou as ventanas da área de serviço por uma janela de verdade (mais à frente eu comento sobre isso). Ambos os blocos têm janelas nas laterais. Não é à toa que o apartamento "perfeito" dos anúncios de imóveis é "meio de quadra" (porque não pega o barulho do comércio), nascente, "de canto"... os apartamentos "de canto" (ou seja, na ponta do bloco) têm maior perímetro livre e mais opções de ventilação natural. Nas outras unidades, os banheiros ficam no meio do apê e a ventilação não tem saída externa - muitas vezes o jeito é usar um exaustor.
 Abaixo, a fachada principal do bloco F. Reparem no revestimento das portarias, em mármore (típico dos prédios mais antigos) e nas pilastras cilíndricas; quase todos os outros blocos tiveram esse detalhe alterado nas reformas seguintes:
Parque infantil em frente ao bloco J:
Escola:
Tirei duas fotos e, quando estava me afastando, uma aluna - devia ter seus 12 anos - gritou: "tira mais uma!". Fiquei sem graça e perguntei se ela queria que eu tirasse uma foto dela. Fez pose e me passou o e-mail da professora para que eu mandasse o arquivo depois, o que acabei fazendo. Uma figura! Essas fotos foram tiradas perto do meio-dia e alguns alunos estavam esperando depois da aula.

Na foto abaixo, detalhe do bloco J. Esse e o bloco C são assim, em desnível. Só vi isso na SQN 403 e SQN 405.
Mais uma do bloco J:
Olha quem eu vejo saindo do bueiro enquanto estou fotografando o bloco J:
Esse serzinho ficou na maior pose. Andou um pouco, sentou-se de novo... pela atitude vigilante e pela barriga um pouco distendida, fiquei pensando se não seria uma gata parida - mas não ouvi nenhum barulho de gatinho novo. Tentei alguns contatos para ver castração, adoção... sem resultados por enquanto.

Agora o bloco D, com reforma recente. Reparem nos toldos em algumas janelas, além da arborização "misturada": árvores antigas dividem espaço com palmeiras, que certamente foram plantadas há bem menos tempo e pelo pessoal do próprio condomínio:
Outro parquinho. Vemos a fachada posterior do bloco E (à direita) e a fachada principal do bloco C da SQN 406. O arruamento dessas quadras tem uma característica interessante: a rua de entrada, comum às duas quadras, se subdivide e não vai até perto da L2. Quando fui tirar essa foto, eu já não sabia em que quadra estava. Tive que olhar as placas. Imagino a confusão para os carteiros...
Quadra poliesportiva em frente ao parquinho da foto anterior:
Calçada com piso tátil ligando o parquinho/quadra de esportes à rua em frente ao bloco J. Estava em obras quando cheguei para tirar as fotos:
A seguir, a fachada posterior do bloco E. É comum, nesses blocos, os proprietários abrirem janelões. Confesso que uma coisa que sempre me deu implicância no projeto original dessas quadras são justamente as ventanas minúsculas. Imagine estender e passar roupa, cozinhar, etc, num ambiente escuro e sem ventilação natural? Como dormir no tal "quarto reversível" sem uma janela de verdade? Felizmente a solução adotada na maior parte dos outros projetos das outras quadras - os cobogós - é bem mais prática.
Realmente as fachadas despadronizadas ficam bem feiosas; mas, se o projeto original não oferece boa qualidade de vida, fazer o quê? Aí vem a tentação de reformar os apartamentos, criando janelões. O problema? Você vê na atualização no final do post.

O tronco dessa árvore tem uns 80cm de diâmetro:
Outro detalhe da arborização:
Central telefônica (acho que é!) em frente ao bloco Q:
Outro ângulo:
Este foi o passeio na SQN 405. Por enquanto postei só fotos do Plano Piloto que, afinal, é onde trabalho e passo a maior parte do dia durante a semana. Espero ter oportunidade de registrar outros lugares. Lembrando que se alguém quiser as fotos sem marca d'água, é só pedir pelo e-mail do blog.

[1]: FERREIRA, Marcílio Mendes & GOROVITZ, Matheus. A invenção da superquadra. Brasília: IPHAN, 2008.

Atualização (27/10/2012): Saiu na capa do Correio de hoje (clique e aumente):
 

Pois é: os prédios dessas quadras têm paredes com função estrutural - informação que, por sinal, consta no livro do Marcílio Ferreira e Matheus Gorovitz. Essas quadras foram planejadas para um pessoal de bolso não tão cheio e aí entram as técnicas para baratear a construção. 

Só que os antigos moradores seguiram um desses caminhos: ou melhoraram a condição financeira ou foram expulsos pela lei do mercado e substituídos por moradores de bolsos mais recheados. É a gentrificação, que citei no post sobre a 302. De um jeito ou de outro, o pessoal quer melhorar os apês. Nas pesquisas para atualizar este post, cheguei a ver um projeto de reforma no site de um escritório de arquitetura e adivinhem: derrubada de paredes num apartamento numa dessas quadras. :-/

Espero que tudo seja resolvido da melhor forma e nenhuma tragédia aconteça - como o desabamento dos prédios no centro do Rio, que ocorreu ainda este ano.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

"Brasília 50 anos" - e cuidados na hora de comprar livros

O livro Brasília 50 anos - da capital à metrópole faz parte da coleção Brasília, organizada pelo professor Aldo Paviani e publicada pela Editora UnB.

Composto por diversos artigos, explica a história que levou à fundação da cidade; as primeiras comissões de estudiosos que demarcaram a área da futura capital - com todas as idas e vindas desse processo; a ocupação da região desde o período colonial; as marés políticas; os fluxos migratórios após a inauguração; o planejamento urbano e as situações que, para os primeiros urbanistas, não estavam no script: o aumento da população no Entorno, a questão dos condomínios e do uso do solo em geral... enfim, uma coleção de artigos com um perfil acadêmico que apresenta e discute uma vasta base de dados.

 
Gostaria de fazer uma resenha mais atualizada mas, como faz mais de um ano que li, acabei perdendo o bonde. Recomendo ver este link e também este se você quiser saber mais.

Então por que cargas d'água resolvi falar desse livro? 

 
1. Acho o assunto interessante, ora!

 2. Veja as fotos abaixo (clique para ampliar). Como os direitos são reservados, dei uma censurada geral:

 

O livro tem 490 páginas, mas o meu veio com 460. Não foi alguém que arrancou; foi falha da gráfica. Só notei depois de vários dias e já nem tinha a nota fiscal. Justamente um dos capítulos que achei mais interessantes! Frustração define.

Já comprei (e escapei de comprar) outros livros com problemas desse tipo: paginação trocada ou incompleta, páginas não impressas (sim, folhas em branco no meio do livro!)...

Então fica o lembrete: folhear o livro antes de comprar! Se não for possível, guarde a nota em local seguro e corra para conferir o seu livro assim que tiver a chance.

PS: Comprei um outro livro dessa coleção. Brasília, ideologia e realidade - espaço urbano em questão. É uma reedição de um dos primeiros livros lançados pelo grupo de estudos, ainda nos anos 80. Os dados e discussões são daquela época. Vale pelo resgate de um trabalho pioneiro. Mas, se você procura trabalhos com dados mais atualizados, fique com os volumes mais recentes da coleção - por exemplo, o Brasília 50 anos. Só não se esqueça de folhear antes, OK?

sábado, 2 de junho de 2012

Na papelaria - direto do túnel do tempo...

Hoje passei numa loja de material para artesanato na 102 Norte, uma quadra onde funcionam estabelecimentos desse tipo. A loja ocupa todo o subsolo do prédio - é enorme!

Vi coisas que nem imaginava que ainda existissem: pantógrafo? Pois então:


Foto tremida... shame on me! Nem coloquei marca d'água para não passar mais vexame.

O pantógrafo serve para desenhar figuras em escala reduzida ou ampliada; não posso dar mais detalhes porque nunca usei. Aqui tem um vídeo explicativo:


Gabaritos para desenho? Tem também:



Vi pranchetas, cavaletes... coisas que eu imaginava terem sido extintas pelo AutoCAD. Tintas para craquelê (alguém se lembra das aulas de arte no colégio)? E coisas mais modernas, como material para scrapbooking? Também vi por lá. Deu até vontade de voltar a brincar com essas coisas.

Para quem se interessar, a 102 Norte é o paraíso dos cursos para artistas e aspirantes a artistas: fotografia, artesanato... tem aqui e em outras lojas, como a Casa do Artesão. Cursos na área de gastronomia, organização doméstica... também tem. Vejam aqui. 

Bom para quando a gente tira férias e não pode viajar!

domingo, 27 de maio de 2012

Fotografando a cidade: SQN 302

Quando fui almoçar no Greens, aproveitei para tirar umas fotos da quadra residencial.

Todos os blocos da SQN 302 abrigam apartamentos funcionais da Câmara dos Deputados - que também tem imóveis nas quadras 202 Norte, 111 Sul e 311 Sul. No total são 432 apartamentos nessas quadras. Parte dos deputados mora nos apês funcionais, mas boa parte prefere mesmo os 3.000 reais mensais de auxílio-moradia. E, a pretexto de reduzir essa despesa, a Câmara licitou uma reforma nos prédios da 302. A novela começou em 2007; em 2011, foram entregues as primeiras unidades. O custo total ficou estimado em 64 milhões de reais, ou 415 mil por unidade. Mais aqui e aqui. E, pelas histórias de garagem inundada e portão com defeito, parece que a reforma não foi um sucesso total.

Prefiro nem escrever muito mais sobre isso, e menos ainda sobre o naipe de tantos dos inquilinos desses blocos. O noticiário está aí para quem quiser ver. É verdade que a Câmara, dona dos imóveis, acabaria em algum momento tendo que tomar uma posição sobre eles: vender (houve uma época em que os jornais falavam nisso) ou reformar. E, já que reformou, teria mesmo que adaptar apartamentos para cadeirantes, por exemplo. Mas gente... vejam esse vídeo sobre a vida dos políticos na Suécia:

Tá. E depois de deixar todo mundo com raiva, a pergunta: por que resolvi fazer esse post?
Tentando abstrair um pouco os inquilinos... bem, as quadras funcionais têm a cara de uma Brasília mais próxima da concepção original. Mesmo a reforma preservou boa parte disso. Nada de vidros espelhados, jardins bloqueando os pilotis, etc. Então, para satisfazer a uma possível curiosidade dos novos brasilienses, nada como mostrar uma quadra à moda antiga. A 302 é um bom laboratório porque ainda tem os dois tipos de fachada: as antigas e as já reformadas.

Antes de continuar, um parêntese para os não acostumados ao "brasiliês": o que é uma superquadra?
"Estruturalmente, uma Superquadra é um conjunto de edifícios residenciais sobre pilotis (que tem, em Brasília, pela primeira vez, presença urbana contínua) ligados entre si pelo fato de terem um acesso comum e de ocuparem uma área delimitada - no caso, um quadrado de 280 x 280 metros, a ser cercado dos quatro lados com renques de árvores de copa densa, e com uma população de 2.500 a 3.000 pessoas. O chão é público - os moradores pertencem à quadra, mas a quadra não lhes pertence - e essa é a grande diferença entre Superquadra e condomínio. Não há cercas, nem guardas, e no entanto a liberdade de ir e vir não constrange nem inibe o morador de usufruir de seu território, e a visibilidade contínua assegurada pelo pilotis contribui para a segurança." (Maria Elisa Costa, citada em [1]).
Obs: quem mora aqui sabe que muito dessa teoria hoje é só teoria mesmo! Para o bem e para o mal, atualmente as coisas são bem diferentes. Mas isso seria assunto para outra discussão.

Então vamos às fotos. Elas ampliam se clicadas. A primeira mostra o bloco I:
Abaixo: em primeiro plano, a saída da garagem do bloco I:
Pilotis do bloco I, com vista para a escola classe. Reparem nos azulejos da portaria (são do Athos Bulcão? Não consegui descobrir) e no piso "normalzão":
A SQN 302 tem duas escolas: uma escola classe (o prédio de muro amarelo, à esquerda na foto abaixo) e um jardim de infância (à direita na foto, muro azul). Ao fundo o bloco D, que ainda está em reforma:
 A ideia das escolas dentro das quadras era atender às crianças da vizinhança e o próprio traçado das vias internas foi feito pensando em minimizar as travessias de ruas. Hoje, com o processo de gentrificação e o envelhecimento da população do Plano Piloto, a maior parte das crianças vêm das RAs (regiões administrativas, ou cidades-satélites). Ou seja: atravessam ruas e pegam ônibus.

Mais uma foto mostrando o entorno da escola. O aspecto maltratadinho contrasta com os prédios recém-reformados da quadra:
A próxima foto mostra a fachada principal do bloco G, com as janelas basculantes, e o jardim de infância:
Aqui a fachada posterior do bloco C, em reforma. Destaque para os cobogós (elementos vazados típicos das construções mais antigas de Brasília):
Aqui a fachada posterior de um bloco já reformado e sem os cobogós:
Bem, pessoal, é isso. Espero que vocês tenham gostado do passeio virtual. Tentei criar uma conta no Panoramio para colocar as fotos acessíveis pelo Google Earth, mas o Google (que também é dono do Panoramio) exigiu que eu informasse um número de telefone celular! Acho que eles já têm informações demais a meu respeito e não concordei. Então, nada de conta no Panoramio. Quem quiser alguma foto sem marca d'água, é só pedir pelo e-mail do blog, OK?

[1] - FERREIRA, Marcílio Mendes & GOROVITZ, Matheus. A invenção da superquadra. Brasília: IPHAN, 2008. Tem uma ótima resenha aqui