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segunda-feira, 8 de maio de 2017

Semana da Europa e festival de cinema


Sziasztok!

Esta semana começa a 13a. edição da Semana da Europa, com eventos em várias cidades brasileiras.

Um evento tradicional em Brasília é o bazar europeu, na Cultura Inglesa (709/909 Sul), que este ano será realizado no sábado, 13/05. Tem algumas apresentações e barraquinhas de comida com pratos típicos deliciosos. A dica que dou é chegar entre 11 e 12h, por aí. O ruim é que nem tudo vai estar pronto. O bom é que você vai conseguir circular. Se deixar para chegar muito tarde, o visitante fica preso no meio da muvuca... realmente o espaço da Cultura ficou apertado para o evento.

Em outras edições era realizada uma corrida no dia do bazar. Os inscritos concorriam ao sorteio de uma passagem para qualquer país europeu. Este ano não consegui descobrir nada sobre isso no site.

Bem, vamos às informações que recebi por e-mail sobre o representante húngaro no festival de cinema:

Mamãe e outras figuraças da família (título em húngaro: Anyám és más futóbolondok a családból) no quadro do Festival de Cinema Europeu, organizado pela EUNIC Brasil – Associação dos Institutos Culturais, Embaixadas e Consulados de Países Membros da União Europeia.). O filme será projetado em húngaro, com legendagem em português.

Data: 13 de maio, 21 horas
Lugar: Cine Brasília (EQS 106/107)

Sinopse: O filme apresenta a história de quatro gerações de mulheres durante o século XX. A protagonista, durante os seus 94 anos de vida, se mudou 27 vezes, sempre fugindo das vicissitudes da história que a Hungria atravessou, entre elas, guerras mundiais, tratados de paz, revolução. Apesar das constantes mudanças, porém, a família é capaz de manter o bom humor, seguir forte e enfrentar qualquer desafio - o mundo muda, a família é para sempre.

Mais detalhes sobre o filme aqui: https://www.semanadaeuropa.org/mamae-e-outras

E aí? Eventos culturais e ainda de graça... bom demais, não?

domingo, 30 de abril de 2017

Andei vendo: Mindenki

Olá, pessoal!

Como escrevi neste post, há alguns dias fui conferir a estreia do LoboFest com direito a filme húngaro.

O Cine Brasília estava cheio e o evento foi bem animado. Alguns quiosques de artesanato e produtos orgânicos, além de food trucks. Matei a fome com um hambúrguer de feijão preto com quinoa no Apetit Natural. Maravilhoso! 

Após um atraso de 30-40 minutos, começou a exibição de uma série de curtas com duração de 3 a 5 minutos. Alguns muito legais e outros que achei bem trash. Mas acho que a ideia era mesmo essa, então está valendo.

Agora o filme que vou comentar no post. Encontrei um trailer no Vimeo: https://vimeo.com/142948550

A história se passa em 1991, numa escola primária na Hungria. A pequena Zsófi é novata e logo decide participar do coral da escola. Não é um simples coral, mas um que já venceu várias competições e vai participar de outra em breve.

Quem já leu meus comentários sobre filmes aqui no blog deve ter visto que faço o possível para não entrar em detalhes sobre o enredo... mas aqui não vi muito como fugir. Vou escrever em fonte clarinha, beleza?.

A história: Zsófi participa do primeiro ensaio com o coral e a professora pede para conversar com ela em particular. Faz um rápido teste e diz que a menina ainda não está pronta para cantar no grupo. Mas isso é simples de resolver: basta que ela duble... isso mesmo: Zsófi deve mover os lábios como se estivesse cantando.

No caminho para casa a nova melhor amiga - Liza, que é destaque no coral - percebe que alguma coisa está errada com a Zsófi. Não só isso: percebe também que a menina não cantou. Sob pressão, Zsófi conta a verdade. Liza fica revoltada e percebe que outras crianças também só dublam. Depois de um confronto com a regente ("o mundo nem sempre é justo"), ela resolve dar uma trollada épica na professora falsiane. :-D. A dica está dada no vídeo que postei aqui. 

Se tivesse que definir em poucas palavras o que mais me chamou a atenção no filme, eu diria: pactos de silêncio.

É um filme com crianças, mas a discussão sobre conceitos de justiça e solidariedade é bem adulta. Ao mesmo tempo é um filme leve. A plateia riu bastante na cena final.

O título em inglês o filme é "Sing". Em húngaro, "Mindenki" ("todo mundo"). Em português parece que ficou "Todos juntos". Achei os títulos em húngaro e em português bem mais "a cara" do filme. Quem era parte do coral? Todo mundo no grupo ou só os que a professora permitia? Quem era "todo mundo" ali mesmo?

.Ficha técnica: Mindenki (2016). Direção: Kristof Deák. Com: Dorka Gáspárfalvi, Dorottya Hais, Zsófia Szamosi e outros. Duração: 25 min. País: Hungria. Gênero: drama (curta-metragem). Produtora: Meteor Film

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Lobo Fest – 9º Festival Internacional de Filmes Curtíssimos - Cine Brasília

Olá, pessoal!

Mais um post relâmpago. Será que dá tempo de alguém ver?...
Amanhã, 20/04, tem abertura do Lobo Fest. Confesso que nem conhecia esse festival. Vai ser no Cine Brasíia, EQS 106/107, às 20h.

Tem um curta metragem húngaro! Mindenki, de Kristóf Deák, vencedor do Oscar 2017. A cena inicial me deixou bastante curiosa: 
 
E um detalhe: "após a sessão, será servido um coquetel no foyer do cinema onde poderão experimentar deliciosos vinhos e salgadinhos húngaros." :-D

Mais informações na página do festival: http://lobofest.com.br/programacao/programacao-dia-20-de-abril/ (informações sobre a abertura); http://lobofest.com.br/o-festival/ (geral)

Esta matéria dá mais informações. Pelo visto é um festival itinerante: http://brasilia.deboa.com/cultura-esporte/lobo-fest-9o-festival-internacional-de-filmes-curtissimos

#ficadica :-)

 

terça-feira, 28 de junho de 2016

Filme: Malcriados

Vendo a lista de produções em cartaz, a sinopse desse filme me chamou a atenção. Estava passando numa única sala, em uma cidade da região metropolitana chamada Sabaneta. Peguei o metrô, desci na estação de mesmo nome e fui seguindo o fluxo até o CC Aves María. Como dizem neste blog, é um shopping bonito mas ao mesmo tempo bem caidinho, com um monte de lojas para alugar. Era uma tarde de domingo, muitas famílias e uma fila que não andava muito rápido. Até as 16h davam desconto de 50% nos ingressos. Paguei uns 4.500 pesos. \o/

A história: Manuel Rico, um milionário viúvo na faixa dos seus 50 anos, que não acompanhou muito de perto a educação dos três filhos, percebe que os jovens - Javi, Bárbara e Charly - não querem saber de nada na vida além de gastar e fazer festa. Até que um dia a polícia invade a mansão e eles têm todos os bens confiscados. A família se muda para uma casa humilde no centro de Bogotá e os dois mais velhos vão ter que trabalhar. Charly é transferido para uma escola pública e é claro que eles têm muitas dificuldades de adaptação à nova vida. Ao mesmo tempo, aproximam-se do pai e aprendem a valorizar outras coisas. Não conto mais para não estragar a surpresa. Quer dizer: vários dos filmes que eu comento aqui não foram distribuídos no Brasil e é provável que não sejam, mas quem garante que um dia você não terá acesso a algum deles?

Malcriados (2015) é a refilmagem de uma produção que fez grande sucesso no México: Nosotros los Nobles (2013), que foi lançado no Brasil com o título Quando os ricos quebram a cara [que ódio! Não vi nenhuma notícia sobre esse filme na época]. A produção mexicana, por sua vez, também é uma refilmagem. Vi informações conflitantes sobre qual teria sido a fonte original. Aqui diz que seria um filme de Buñuel chamado El gran calavera (1949).

Trailer de Nosotros los Nobles:

Trailer de Malcriados:

Tive medo de ficar boiando durante a sessão. Ao contrário das outras produções que vi na Colômbia (Anna e Guten Tag, Ramón), esta seria toda realmente em espanhol e sem legendas. Outra dificuldade em comédias de outros países é que muitas vezes a gente não tem as referências culturais para entender as piadas. Bem, o fato é que comecei a ver o filme e percebi que estava entendendo bastante - uhu! -, talvez uns 90%. Ajuda o fato de eu já ter aprendido algumas gírias colombianas. Boiei um pouco mais no trailer da versão mexicana.

Minha opinião: é uma comédia leve; tem poucas cenas como as do Charly, mas trailer, né... sempre escolhem essas; não achei apelativo na parte de erotismo. Pode ver com sua mãe na sala. Não é um filme para ganhar prêmios em festivais, não aprofunda conflitos de personagens, tem alguns clichês, mas enfim... tem uma mensagem simpática e é uma boa diversão para uma tarde de domingo. A isso o filme se propõe e essa missão ele cumpre bem. Dei boas risadas e saí mais leve do cinema. 

Clipe da música tema com cenas do filme:


Ficha técnica: Malcriados (2015). Direção: Felipe Martínez Amador. Com: Víctor Mallarino, Julieth Restrepo, Juan Fernando Sánchez, José Restrepo  e outros. Duração: 111 min. País: Colômbia. Gênero: comédia. Produtora: Dynamo/Patagonik.



segunda-feira, 27 de junho de 2016

Andei vendo: Anna

Imersão cultural tem que ter espaço para um cineminha, não é mesmo? Olhando a programação, meus olhos bateram na sinopse desse filme e fui conferir.

O local foi uma sala pequena no Centro Comercial Plazoleta Las Américas. É um prédio com lojas embaixo e escritórios/clínicas na parte de cima. Quase não se percebe que existem salas de cinema ali. Os filmes que passam lá são mezzo comerciais, mezzo alternativos - mais ou menos como o Liberty Mall em Brasília. A maioria do público tinha mais de 50 anos e estava todo mundo bem vestido. E o cine tinha uma funcionária com uma lanterna para ajudar o povo a encontrar os assentos. Chique demais!

Tive sorte em ir numa quarta-feira, dia em que os ingressos têm 50% de desconto. #ficadica Saiu em torno de 5.000 pesos.

Bem, o filme.

A protagonista, Anna, é uma colombiana que vive na França há bastante tempo. Tem um filho de 10 anos, Nathan, que vive com o pai. Ela tem uns impulsos, percebe-se que não é muito equilibrada. O filho parece que não vê muito nela uma referência materna - tanto que a chama de "gorila", e não de "mãe".

Um dia o pai do garoto resolve proibi-la de vê-lo e diz que, "com o histórico que ela tem", nenhum juiz daria a guarda compartilhada. Sim, ela tem alguma disfunção que ainda não está bem clara.

Desesperada, ela resolve fugir com o namorado e o filho para a Colômbia. Sair de um país com um menor de idade sem autorização do pai que não viaja não é a coisa mais fácil do mundo... mas sem essa forçadinha de barra o filme não aconteceria. Bem, o fato é que eles desembarcam em Bogotá e são recebidos pelo irmão dela. Quando Anna percebe que o irmão não apoia suas atitudes, resolve fugir - e o filme se torna um road movie. Vão parando em espeluncas de beira de estrada rumo à costa; os conflitos vão se intensificando e fica mais clara a condição mental da protagonista.

Aqui o trailer:

O filme é uma co-produção franco-colombiana. A maior parte das falas - acho que uns 90% - é em francês com legendas em espanhol. Confesso que as legendas me ajudaram bastante. Na parte que passa em Bogotá, em que ela conversa com o irmão, fiquei boiando em várias partes dos diálogos. Mas isso não chegou a me impedir de entender o filme.

Achei a produção muito bem feita. As cenas transmitem bem a tensão de uma fuga, com os personagens cada vez mais sujinhos e com cara de cansados. No começo fiquei com raiva das atitudes irresponsáveis da Anna; depois fui me solidarizando com a personagem. A atriz principal, Juana Acosta, me manipulou direitinho. Para mim ela é o destaque do filme.

É interessante ver também como, apesar de tudo, mãe e filho conseguem se aproximar. Bem, não vou contar mais para não estragar. O filme é muito bem produzido e acredito que terá ainda um bom destaque nos festivais por aí.

Ficha técnica: Anna (2015). Direção: Jacques Toulemonde . Com: Juana Acosta, Augustin Legrand, Kolia Abiteboul, Bruno Clairefond e outros. Duração: 96 min. País: França/Colômbia. Gênero: drama. Produtora: Noodles Production/Janus Films

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Filme: Guten Tag, Ramón (com bônus)

Antes do filme que vou comentar no post, foram exibidas as instruções clássicas (desligue o celular, fique atento às saídas de emergência...), acho que algum trailer (não lembro!) e um documentário curta-metragem chamado "Ombligados en Jurubirá". É sobre uma tradição mística com o cordão umbilical dos recém nascidos num povoado no Pacífico colombiano, e como isso simboliza o sentimento de identidade daquelas pessoas.

 Trailer - Ombligados en Jurubirá

Sei que no Brasil existiam (ainda existem?) simpatias com o enterro dos cordões umbilicais; mas sou da geração que não nasceu de parteira, e sim de obstetra em parto cesariana. Nem tenho ideia do que aconteceu com meu cordão e minha mãe devia estar muito grogue de anestesia para pensar nisso. Achei interessante o documentário - mais algumas coisas que aprendi sobre um pedacinho da Colômbia -, mas infelizmente meu portunhol me traiu durante alguns depoimentos. :-( Infelizmente não achei a versão integral para postar aqui.

Agora vamos ao filme Guten Tag, Ramón, uma co-produção México e Alemanha. As cenas iniciais são impactantes: um grupo de mexicanos escondidos num caminhão tenta entrar nos Estados Unidos. Os coiotes simplesmente somem e largam todo mundo no meio do deserto. A polícia aparece, salva (e, claro, deporta) todos eles - inclusive o jovem Ramón. A partir daí o filme mostra sua cara, bem mais leve.

 Trailer - Guten Tag, Ramón

Ramón vive com a mãe e a avó num povoado no norte do México, sem muitas perspectivas. Tentou entrar ilegalmente nos States várias vezes, sem sucesso, para frustração da avó. Então um dia um amigo sugere que ele tente a Alemanha. Esse amigo, que tem uma tia em Frankfurt, escreve uma carta com o roteiro completo (a locução em off da leitura da carta e a tentativa de pronunciar os nomes em alemão é uma das partes mais divertidas do filme).

Ramón chega com uma reserva em euros, passa pela imigração e vai procurar a tia do amigo. Algumas coisas dão errado e ele se vê sozinho num país cuja língua não conhece. Ainda por cima, é inverno. Mas ele vai conhecendo pessoas e fazendo amizades. Depois de um tempo, está ensinando danças e fazendo pratos típicos para seus novos amigos, principalmente Ruth (uma senhora que vive sozinha num condomínio onde todos os moradores são idosos), Hanna (uma moça que trabalha numa mercearia) e Karl (um dos vizinhos de Ruth). Claro que ele também encontra outras pessoas não tão amistosas assim.

Detalhe: nem os amigos de Ramón falam espanhol (Karl fala um pouco de italiano, mas isso não ajuda muito), nem Ramón fala alemão. A barreira linguística não impede que eles tentem se comunicar, e esse é um dos motores da história.

O filme é uma comédia light com uma pegada sentimental, estilo sessão da tarde. Não espere discussões profundas sobre a questão da imigração na Europa. Na vida real as coisas seriam bem mais difíceis para o personagem, mas aqui a proposta é fazer um filme divertido e simpático - e isso os realizadores conseguiram bem. Impossível não torcer pelos protagonistas.

Na primeira parte, quando Ramón está no México, a plateia às vezes dava risada e eu ficava boiando. Já quando ele está na Alemanha, as falas em espanhol (que passam a ser poucas) são mais lentas e fáceis de entender: é a leitura da carta, é ele tentando se comunicar... a maior parte dos diálogos passa a ser em alemão com legendas em espanhol, e aí fica fácil.

O dia seguinte - meu primeiro dia completo em Cartagena - já foi num esquema mais turístico. Aguardem o próximo post!

Ficha Técnica: Guten Tag, Ramón (2014). Direção: Jorge Ramírez Suárez. Com: Kristyan Ferrer, Ingeborg Schöner e outros. Duração: 120 min. País: México/Alemanha. Gênero: comédia. Distribuidora: 20th Century Fox Film Corporation.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Andei vendo: Paraíso

Vi uma curta sinopse sobre esse filme e dei uma passada no cinema para conferir.

A história: Carmen e Alfredo são casados há poucos anos e vivem numa vizinhança tranquila. Ambos estão acima do peso ideal, o que não os impede de levar uma vida bem ativa - aliás, a primeira cena do filme mostra o casal fazendo "coisinhas" (com cenas desfocadas, sem maiores exposições - de qualquer forma, fica o aviso caso você queira levar sua avó ao cinema!)

As coisas mudam quando Alfredo, que trabalha com informática num banco, é transferido para a Cidade do México. Longe de sua família (todos também gordinhos), Carmen é jogada num novo mundo em que as pessoas podem ser cruéis. Decidida a procurar ajuda para emagrecer, ela tenta "arrastar" o marido e o casal vai entrando em sintonias diferentes, o que ameaça cada vez mais o relacionamento.

O filme tem momentos simpáticos e momentos não exatamente deprê, mas que podem tocar um pouco mais quem já passou por situações semelhantes. Acabei me lembrando um pouco de outra produção, "O casamento de Muriel" - que, embora tenha uma história bem diferente, aborda esse tema do bullying, do sentimento de inadequação e dos esforços para dar a volta por cima. Em alguns sites o filme aparece classificado como comédia; não concordo.

O elenco é ótimo, principalmente Daniela Rincón, a atriz que faz a protagonista: consegue dizer muita coisa só com expressão facial e alguns momentos de silêncio; é expressiva e constrói uma personagem complexa, longe da caricatura de "gordinha simpática" que tantas vezes vemos por aí.

Outro ponto positivo fica por conta da trilha sonora.

O filme pode não ser perfeito, com algumas quebras de ritmo, mas acho que vale a pena ver. Confira o trailer.

Aqui se pode ver uma entrevista com diretora e elenco. Aqui algumas informações sobre o processo de transformação física de... bem, se você viu o filme e/ou teve essa curiosidade, aí está!

Para fechar o post, uma das músicas da trilha sonora [que dificuldade para incorporar vídeos, credo!]

Ficha Técnica: Paraíso (2013). Direção: Mariana Chenillo. Com: Andrés Almeida, Daniela Rincón e outros. Duração: 105 min. País: México. Gênero: drama/romance. Distribuidora: Imovision 

sábado, 24 de maio de 2014

Andei vendo: Getúlio

Mais um post sobre filme?

É... tenho posts sobre outros assuntos para escrever; mas os que tratam de filmes acabam sempre furando a fila. O motivo é simples: se não escrever logo, não escrevo mais. Deixei de comentar alguns ótimas produções por ter deixado o bonde passar.

Filmes com tema histórico/político? Posso até não ir ao cinema conferir, mas no mínimo eles cutucam minha curiosidade. Então fui ver esse bem no estilo Globo Filmes: atores conhecidos, trabalho de caracterização bem feito, figurino e cenografia bem cuidados e... um ar que lembra as minisséries da Globo, aquele jeito meio grandiloquente de tratar a História. Isso já fica claro na narração do início, no melhor estilo "Getúlio Vargas for dummies".

Achei alguns diálogos meio forçados, numa linguagem empostada e aí não há interpretação que resista. Por outro lado, nada que chegue aos exageros tão criticados em Olga - para citar um caso clássico.

Uma coisa que achei interessante foram alguns posicionamentos claros do roteiro em questões que, pelo menos até alguns anos atrás, eram bem controversas:

- O então presidente realmente foi a cabeça por trás do atentado a Carlos Lacerda? A resposta dada pelo filme é clara: não. Vemos um Getúlio preocupado em identificar e punir os responsáveis, e muitas vezes chocado ou impotente diante do que seus aliados tentavam fazer em nome dele. 

- A carta-testamento de Getúlio já estava pronta há alguns dias; ou seja, ele já considerava a ideia de suicidar-se e fazer disso um ato político.

Não há espaço para personagens ambíguos. As exceções são Gregório Fortunato (que os livros de História sempre mostraram como um personagem meio misterioso) e - um pouco menos - Benjamin Vargas e o vice Café Filho.



Há uma geração que se lembra dessa fase da História, mesmo que a tenha vivido na infância; e muito do que o Brasil é hoje tem explicações que vêm daquela época (o ciclo de industrialização, as alianças ambíguas na II Guerra, as leis trabalhistas, a Voz do Brasil no rádio e por aí vai). Se você é fã de dramas históricos, certamente terá curiosidade de ver este filme e, para mim, valeu a pena ter satisfeito essa curiosidade. Saiba que o filme tem falhas: o didatismo e os diálogos forçados estão lá e comprometem o resultado; mas nada como tirar suas próprias conclusões, certo?

Obs: Há uma cena em que Getúlio está fazendo uma refeição e corta um bife enorme. Um gaiato da plateia comentou: "é Friboi". Tony Ramos e Roberto Carlos não vão se livrar da Friboi tão cedo, hahaha!

Ficha: Getúlio, 2014. Direção: João Jardim. Com Tony Ramos, Drica Moraes, Thiago Justino e outros. 100 min. Distribuição: Copacabana Filmes.

domingo, 18 de maio de 2014

Andei vendo: A Copa Esquecida

Hoje foi o último dia do festival. Os três filmes pareciam interessantes mas, com a correria do fim de semana, achei melhor conferir um só e optei pelo que tinha o tema mais inusitado.

"A Copa Esquecida" é uma co-produção ítalo-argentina, que trata de um mundial de futebol  que teria sido realizado na Patagônia argentina em 1942 - ou seja, no auge da Segunda Guerra.

Como assim? Tudo começou quando um conde chamado Vladimir Otz resolve entrar em contato com a Fifa para garantir a realização da Copa do Mundo e propõe realizá-la na Patagônia. Gasta muito dinheiro, contrata um cinegrafista, manda confeccionar (ou trazer?) uma taça e, ao perceber que não é levado a sério, resolve organizar o mundial assim mesmo. As equipes são formadas por imigrantes, soldados, índios mapuches...

Imagens de arquivo, entrevistas com ex-participantes ou seus descendentes... alguns são verdadeiras figuraças, como o neto do cinegrafista Guillermo Sandrini. Alguns lances curiosos e frases inesperadas garantem vários momentos engraçados. Sem falar do inusitado árbitro.:-)

O filme é classificado como documentário, mas... ("spoiler" aqui; análise mais detalhada aqui)

Dos filmes que vi no festival, esse foi um dos meus preferidos. Ficou muito acima da expectativa. A história é realmente interessantíssima e a montagem ajuda a tornar o filme ainda mais envolvente. Recomendadíssimo!


Ficha: A Copa Esquecida ("Il Mundial Dimenticato"), 2011. Direção: Lorenzo Garzella, Filippo Macelloni. 95 min.

sábado, 17 de maio de 2014

Filme: Altos e Baixos

O post não é sobre esse filme, e sim sobre um outro, produzido na República Tcheca, de mesmo título em português. Beleza?

Essa foi mais uma produção que conferi no primeiro fim de semana do Festival de Cinema Europeu. A trama tem vários núcleos que às vezes se encontram. Exceto por uma família de perfil mais "burguês" (que tem alguns segredos revelados ao longo do filme), a maioria dos personagens circula pela marginalidade: ladrões, ex-presidiários e por aí vai. Um dos personagens é hooligan - mas não pode ir aos estádios por estar em condicional - e tem um altar para seu time do coração, o Slavia Praha. Essa é basicamente a relação do filme com o tema "esporte".

Exceto pela "família burguesa" que citei acima, cuja trama tem um perfil mais dramático, o filme faz jus à classificação de comédia. O humor aparece mais pelo efeito surpresa: é uma frase de efeito inesperada, é um dos brinquedos bregas (colecionados por uma das personagens) que aparecem na tela, e por aí vai. Também existe uma boa dose de crítica social: é o funcionário que avisa sobre um furto depois que os ladrões foram embora, é o policial que se conforma em registrar a ocorrência sem acreditar muito que vá ser solucionada... por tudo isso o filme rendeu boas risadas na sala de projeção. 

Enfim, gostei. Uma boa comédia com crítica social que toca em questões como racismo e xenofobia.
 

Ficha: Altos e Baixos (Horem pádem), 2004. Direção: Jan Hřebejk. Com Jirí Machácek, Petr Forman, Jan Tříska e outros. 108 min

Filme: Sangue nas Águas

Liberdade, amor. Essa seria a tradução literal do título original do filme ("Szabadság, szerelem"). O cenário é Budapeste durante a Revolução de 1956, quando os húngaros tentaram se livrar do domínio soviético e foram violentamente reprimidos. A seleção nacional de pólo aquático está nos preparativos para as Olimpíadas de Melbourne (Austrália) que será realizada no mesmo ano. Karcsi, um dos atletas, envolve-se com Viki, uma estudante politizada, e fica dividido quanto a participar ou não dos jogos.

Vendo a sinopse, achei que fosse um filme sobre esporte que tinha a revolução como pano de fundo. Na verdade é o contrário: está mais para filmão de guerra. Muitos tiros de canhão, metralhadora, bombas explodindo... e sempre muita tensão no ar. Claro que não é só isso; existe uma história e é bem contada. No entanto, foi fácil sentir a reação de surpresa do público. Então não vá achando que é "sobre esporte", beleza? [comentei aqui]. Mas vá preparado para ver um ótimo filme.


O confronto esportivo (não só esportivo) entre Hungria e URSS nos jogos de Melbourne aconteceu mesmo e é mostrado no filme. Existe também um documentário, dirigido por Quentin Tarantino e narrado por Mark Spitz, sobre a história desse jogo. Fizeram até um reencontro entre ex-jogadores de ambas as equipes. Nunca pensei que um dia teria vontade de ver um filme do Tarantino, haha! (Nada contra, mas não é meu estilo). O jogador húngaro que saiu sangrando da piscina foi técnico do Mark Spitz, o que ajuda a explicar a participação dele no documentário.

Uma análise detalhada de "Sangue nas Águas" pode ser vista aqui. Apenas não concordo totalmente com a afirmação de que o protagonista é mostrado como alguém alienado (está mais para intimidado, e tem consciência do que acontece).

Alguns comentários sobre o contexto histórico:

- A AVO, citada várias vezes no filme, era a polícia secreta húngara.

- Ao longo do filme, aparecem várias bandeiras. A história está contada aqui.

Nas cenas em que a bandeira é empunhada pelos revolucionários, há um recorte na parte central. A parte recortada é justamente o escudo de inspiração stalinista. A bandeira com a cruz de Santo Estevão aparece na cena final, com uma tarja preta.

Resumindo: filme muito bom. Recomendadíssimo!

Ficha:  Sangue nas Águas (Szabadság, Szerelem), 2006. Direção: Krisztina Goda. Com Iván Fenyö, Kata Dobó e outros. 123 min. Distribuiçao: Imagem Filmes

terça-feira, 13 de maio de 2014

Andei vendo: A Quadra dos Sem Teto

Como escrevi no post anterior, aproveitei o final de semana para conferir alguns filmes do Festival de Cinema Europeu. Um deles foi essa produção polonesa.

Jacek era um jovem e promissor jogador de futebol que teve sua carreira encerrada precocemente. Anos depois, tenta firmar-se como treinador e dá aulas de esporte para crianças em Varsóvia. Sua vida está sendo destruída pelo alcoolismo e Jacek acaba saindo de casa para sobreviver nas ruas. Lá é acolhido por um grupo de sem-teto - as histórias de vida dessas pessoas também são mostradas no filme. Então um deles tem a ideia de participarem da Copa do Mundo dos Sem Teto, que será realizada na Alemanha. Será que a equipe - treinada por Jacek - vai conseguir?

O tema "pessoas desacreditadas/marginalizadas decidem formar um grupo, superar tudo e mostrar do que são capazes" volta e meia aparece em filmes como Ou Tudo ou Nada e O Concerto, e também neste. A história começa no inverno, o céu está quase sempre cinza e nublado, a maior parte das cenas se passa em ambientes escuros... tudo isso deixa a atmosfera ainda mais deprimente. Já na fase dos treinos aparece um céu azul aqui, uma graminha verde ali...

Para mim essa é a maior dificuldade do filme: encaixar os "momentinhos de esperança" na vida barra-pesada dos personagens. Não que o filme tenha ficado piegas (a meu ver, não ficou), mas acho que teve um probleminha de ritmo. Na reta final as coisas acontecem muito depressa e, às vezes, de um jeito muito "fácil" (como na coincidência da cena do estúdio). Mas, como diz o filósofo, "faz parte". 

Confira a página do filme no IMDB e um trechinho do filme (achei melhor que o trailer oficial que, de qualquer forma, também não tem legendas). 

Ficha: A Quadra dos Sem Teto ("Boisko bezdomnych"). (2008). Direção: Kasia Adamik. Duração: 118 minutos. Gênero: Drama. Com Marcin Dorocinski, Eryk Lubos, Dmitriy Persin e outros. 

Observação: A Copa do Mundo dos Sem Teto existe mesmo. É realizada todos os anos (a próxima edição, 2014, será realizada em Santiago do Chile) nas modalidades masculina e feminina.

Observação 2: Alguém me explique por que o Blogger resolveu acertar o tamanho de fonte. Vai entender...

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Festival de Cinema Europeu no CCBB

Uma dica para quem gosta de cinema é o Festival de Cinema Europeu no CCBB (informações também no site do CCBB), que faz parte da programação da Semana da Europa. O festival teve início no último dia 7 e vai até 18/05). Cada filme tem duas exibições. A entrada é gratuita; basta pegar o ingresso. A distribuição começa 1h antes do início da projeção.

Em tese (eu disse: em tese!), o mote das produções é o esporte. Ele pode ser um elemento central ou um detalhe no pano de fundo. Mesmo assim, achei que em alguns casos essa relação com o esporte ficou meio forçada. Isso aconteceu na produção tcheca "Altos e baixos", que vi hoje, e talvez de certa forma no húngaro "Sangue nas águas". Vou escrever posts específicos sobre esses filmes, beleza?

Antes de cada filme está sendo mostrado esse vídeo contra o uso de celular ao volante. Achei genial e vi que o público reagiu.

Quero postar em breve sobre os filmes. Agora o sono não deixa... :-(

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Filme - Lunchbox

Dois filmes num fim de semana? Há tempos eu não fazia isso... na verdade, faz tempo que eu não ia ao cinema. Além disso, nas últimas vezes fui enrolando para escrever no blog e acabava desistindo.

Dessa vez fui conferir uma produção indiana cuja história se passa em Mumbai. Saajan Fernandes (*) é um viúvo que trabalha em contabilidade e está prestes a se aposentar. Um homem metódico, poucas palavras e uma vida também sem grandes emoções. Ainda por cima aparece um funcionário mala que precisa aprender o serviço para substituir o colega.

Também sem muitas emoções é a vida de Ila: despede-se da filha que vai à escola e vai preparar a marmita para o marido - que não está nem aí para ela. Então um dia o entregador de marmitas faz confusão e entrega o almoço do marido para... Saajan. Quando a marmita volta vazia, Ila fica toda feliz achando que pegou o marido pelo estômago. Quando percebe o engano, resolve continuar fazendo as marmitas para o desconhecido que gostou da comida, junto com um bilhete. E assim começa uma troca de cartas, desabafos, conselhos...

Para saber mais da história, só mesmo assistindo. Ficou acima da minha expectativa. Apesar de estar sendo rotulado como "drama/romance" ou "romance", não achei meloso. Tem alguns momentos de humor - principalmente envolvendo o funcionário mala -, mas não é uma coisa escrachada. Também gostei da interpretação, principalmente do ator que faz o protagonista. Pode-se perceber como o estado de espírito dele vai se alterando sutilmente ao longo da trama.

Enfim, gostei do filme! Aí vai o trailer:



Ficha: Lunchbox (Dabba), 2013. Direção: Ritesh Batra. Com Irrfan Khan, Nimrat Kaur, Nawazuddin Siddiqui, Lillete Dubey. 104 min. Distribuição: Imofilmes

(*) Algumas pessoas na sala comentaram quando o personagem foi chamado pelo nome. Sobrenomes de origem portuguesa são resultado da colonização feita por lá. Alguns exemplos aqui e aqui. Eu mesma já atendi no trabalho o telefonema de um indiano de sobrenome Fernandes, hehe! Falar inglês ao telefone, e o homem com sotaque forte... foi tenso. Mas deu certo.

Meu sonho de consumo é dar a volta ao mundo pelos países de colonização portuguesa. O problema é aquele pequeno detalhe ($$$) mas sonhar, pelo menos, é de graça. :-)

Eu sempre tinha evitado os cinemas do Liberty Mall por causa dos preços absurdos que eles cobram de estacionamento (R$ 9,00 a primeira hora), mas paguei R$ 5,00. Pelo visto, a tabela nos fins de semana é diferente. Ainda bem!

sábado, 3 de maio de 2014

Filme - Os filhos do padre

Hoje foi dia de cinema e resolvi conferir essa produção croata que fez sucesso no país de origem e em festivais mundo afora.

A história se passa num povoado  em uma ilha na Croácia. O padre Fabijan (Kresimir Mikic) fica chocado ao perceber que morrem mais moradores do que nascem. Então ele tem um plano: furar as camisinhas antes que elas sejam vendidas aos homens da ilha. Para isso ele precisa de alguns aliados (a ideia nasce a partir da confissão de um deles). Alguns segredos dos habitantes vão sendo descobertos e muitas situações engraçadas/aflitivas se desenrolam.

Então o padre descobre não ter o controle das consequências de seu plano e, pior: algumas delas são trágicas.

O filme é rotulado como "comédia" ou "comédia dramática". Eu já tinha escrito sobre essa ambivalência ao comentar alguns filmes aqui no blog. Este é um pouco diferente: não creio que seja uma comédia com pitadas dramáticas. Está mais para um filme que começa como comédia e, chegando à reta final, converte-se em drama e aborda temas difíceis. Algumas cenas no início podem ser um pouco constrangedoras se você for com seus pais (hehe), mas é só no início mesmo.


Os filhos do padre - trailer

Aqui você encontra uma crítica detalhada, com direito a spoiler.

Particularmente gostei muito: faz rir, pensar e se emocionar. Também gostei do trabalho dos atores; o protagonista é contido e expressivo ao mesmo tempo, e achei que todos mandaram muito bem. 

Outra coisa que gostei no filme: o fato de ser falado num idioma com uma sonoridade incrível. Para mim soa mais "vocálico" e suave que russo e polonês, por exemplo (parece menos chiado), se bem que a língua escrita e todas aquelas consoantes dão um pouco de medo! Sou suspeita: quando estive em Pécs, gostava de sintonizar as rádios croatas. Sem entender nada, só por achar bonito [alguém dá aulas de croata por aqui? :-) ]

Ficha: Os filhos do padre (Svećenikova Djeca), 2013. Direção: Vinko Bresan. Com Kresimir Mikic, Drazen Kuhn, Niksa Butijer e outros. 93 min. Distribuição (BR): Pandora Filmes.

domingo, 9 de junho de 2013

Filme: Puskás Hungria

Como escrevi neste post, o CCBB está apresentando uma mostra de filmes húngaros. Comi mosca nos primeiros dias e estou tentando recuperar um pouco o tempo perdido. Agora foi a vez de um documentário: Puskás Hungria ("Puskás Hungary"). 

Aqui vai uma parte (legendas em inglês); e aqui vai o trailer.

Eu mesma sabia muito pouco sobre a vida dele: sabia que foi o mais famoso futebolista húngaro e considerado um dos melhores do mundo, fez parte do grupo que encantou o mundo na Copa de 1954, tinha patente militar e... pouco se fala do "depois". Algumas referências ao fato de ele ter jogado no Ocidente e terminado a carreira mais velho, com problemas de sobrepeso... até o falecimento em 2006.

Só que a trajetória de Ferenc Puskás (ou Ferenc Purczeld Biró, seu nome de registro) foi bem mais interessante do que isso. O documentário segue uma ordem cronológica, um pouco quebrada no final, para mostrar como o garoto simples que jogava com bola de meia chegaria ao Honvéd, à seleção húngara e depois ocuparia outros espaços no futebol pelo mundo. Muitos depoimentos de amigos, parentes e do próprio Puskás. Às vezes esses depoentes falam diretamente para a câmera e às vezes os depoimentos são usados como narração. Fotos, gravações de época... a narração da final de 1954 com a Alemanha, com as frases de efeito do locutor, garantiu algumas risadas da plateia durante a sessão. Outra fonte de informação: as fichas de Puskás nos arquivos da época. É interessante quando o filme mostra as críticas escritas na ficha (por exemplo, sobre o "individualismo" do jogador/militar) e, logo em seguida, os depoimentos dos companheiros elogiando o espírito coletivo do amigo.

Os tempos eram duros e a repressão, fortíssima. A execução de um dos jogadores da seleção húngara, Sándor Szűcs, em 1951, tinha sido uma demonstração muito clara disso. Puskás e os demais jogadores também estavam sempre na mira do regime - fosse em território húngaro ou nas oportunidades de viajar para o exterior. Em 1957 os jogadores do Honvéd fizeram uma excursão na América do Sul, começando pelo Rio, e... bem, esse artigo no Terra Magazine conta mais e contextualiza o futebol da Hungria naquela época.

Depois veio o exílio, com um longo período sem jogar devido a uma punição da FIFA (mais aqui) e o crédito de confiança do Real Madrid. Puskás agarrou essa chance e construiu uma carreira de 9 anos no time. Agora conhecido como "Pancho", tornou-se um dos jogadores mais queridos por lá - o que não era difícil, com seu jeito bonachão e amistoso. Tentou também o comércio (chegou a montar um restaurante) e viu que não levava muito jeito para a coisa. Manteve-se no futebol, como técnico em diversos países, e conseguiu bons resultados - como a campanha do Panathinaikos, da Grécia, que chegou à final da Copa da UEFA em 1971. A passagem pela Austrália, o retorno à Hungria - onde morreria após ser vitimado pelo Alzheimer -, depoimentos de ex-jogadores como Beckenbauer, Pelé, Platini... isso também é mostrado em Puskás Hungria.

Gostei muito desse documentário. Esclarecedor, sem querer pegar o espectador pela mão para pensar no seu lugar. Mostra e provoca emoções sem explorar os depoentes. Edição muito boa. A versão brasileira tem alguns probleminhas nas legendas, mas nada que comprometa o entendimento do filme. Recomendadíssimo! E aos emotivos, um aviso: não se esqueçam da caixa de lenços!

Algumas observações:

- nos créditos finais vem a informação de que as duas netas de Puskás não falavam húngaro. Mais de uma vez tive a impressão de que os húngaros se sentem meio frustrados quando veem um descendente que não fala o idioma, numa espécie de sentimento de perda (comentei aqui).

- Pesquisando sobre a única filha, Anikó, descobri que ela faleceu em 2011, após lutar contra uma longa doença :-(     - mais aqui e aqui.

Ficha técnica: Puskás Hungria ("Puskás Hungary"). (2009). Direção: Tamás Almási. Documentário, 116 minutos. Versão com legendas em português.

sábado, 1 de junho de 2013

Filme - Último relatório sobre Anna

O Centro Cultural Banco do Brasil está exibindo a mostra "Geração Praça Moscou - O Cinema Húngaro Contemporâneo". Começou em Brasília em 28/05 e vai até 09/06. Depois vai para o Rio (11 a 23/06) e São Paulo (19 a 29/06). São 16 filmes produzidos nos anos 2000 e um debate com o tema "o pós-comunismo no cinema húngaro". Pelo menos aqui em Brasília, entrada franca; basta chegar com antecedência para pegar o ingresso. Procurei mais informações e não encontrei, mas parece que essa antecedência seria de pelo menos uma hora. Cheguei uns 50 minutos antes e foi tranquilo. Dei sorte: alguns outros horários estão bem concorridos. A média é de 2 ou 3 sessões/dia, em sequência.

Foi a primeira vez que vi um filme no CCBB. Sala pequena e aconchegante. Antes da sessão, uma funcionária dá as boas vindas e... bem, tivemos a informação de que o projetor digital não estava funcionando. Com isso a programação teve pequenas alterações - mas não para o filme de hoje, gravado em 35mm.

O filme de hoje começa com um flashback. Em 1991 os noticiários mostram as últimas tropas soviéticas deixando a Hungria e Péter Faragó explica fatos ocorridos em 1973. Cooptado pelos poderosos da época, a missão de Péter é viajar para a Bélgica e tentar convencer Anna Kéthly, dissidente política exilada, a voltar à Hungria - onde ela poderia ficar sob controle. Péter é sobrinho de Laci, um antigo namorado de Anna ("antigo" por causa da distância, mas Laci e Anna têm um vínculo importante e é difícil para ela lidar com as lembranças que voltaram com essa visita). Péter tenta conquistar a confiança de Anna, o que não é fácil; ainda recebe cobranças da embaixada, à qual tem que enviar relatórios periódicos. E, quando a esposa Kati recebe autorização para viajar à Bélgica (também numa estratégia do regime), as coisas se complicam ainda mais.

Assim é esse drama histórico - e é drama mesmo, sem os toques de comédia ou humor negro que comentei dos outros filmes. Trata de manipulação (e da consciência de sentir-se usado - ou inconsciência...), da fidelidade aos amigos e às próprias convicções... bem, um filme que vale a pena ser visto. [Se estiver tentando parar de fumar, fique esperto. Leve um adesivo, chiclete de nicotina, qualquer coisa. Como todo bom filme recente que reconstitui os anos 70/80, esse mostra muita gente fumando!]

Quem não conhece a história política da Hungria a partir dos anos 50 até hoje (confesso que não sou uma especialista) pode se perder um pouco nas referências, mas nada que realmente impeça o entendimento da trama. Achei legal a mescla de cenas de documentários da época. Das cenas do filme, uma das que mais me chamaram a atenção foi Anna correndo na neve ao sair do presídio. Não sei por quê...

Como a diretora dedicou o filme a Anna Kéthly, fui pesquisar e descobri que ela existiu mesmo! Aqui o artigo da Wikipedia. Aliás, um alerta sobre um detalhe da tradução: a legenda em português diz que ela era "contra a lei judaica". Para mim, isso quer dizer que a pessoa é contra as regras da Torá; mas, pelo que dizem os biógrafos, ela era contra a lei antissemita. É bem diferente... [obs: o filme foi exibido com legendas em inglês e português]

[Edit] Havia um trailer no Youtube (sem legendas), mas pelo visto foi retirado... :-( 

Filme completo (não consegui incorporar), sem legendas :-(

Ficha: Último relatório sobre Anna ("Utolsó jelentés Annáról"). (2009). Direção: Márta Mészáros. Duração: 103 minutos. Com Ernő Fekete, Enikő Eszenyi, Gabriella Hámori, Adél Kováts, György Faragó e outros. Distribuição: Hunnia Filmstúdió. 

Obs: nos outros filmes que comentei, evitei contar muito da história porque é praticamente impossível fazer isso sem spoiler; mas aqui acho que foi tranquilo.

Obs2: eu sabia que o Ernő Fekete não me era estranho! É um dos atores principais em Lora. Uma curiosidade: ele também é dublador em várias produções.

domingo, 26 de maio de 2013

Filme - Világszám

No ritmo em que estou vendo esses filmes... sério, gente, que vergonha!

Hoje foi a vez de Világszám ("Atração Mundial"). Dois irmãos gêmeos nascem num circo e tornam-se os palhaços Dodó e Naftalin. Dodó, alguns minutos mais velho, sente-se responsável pelo irmão - e esse sentimento tem uma causa um tanto trágica que não vou contar aqui. Anos depois, estoura a Revolução de 1956: os húngaros tentam se libertar do governo implantado pelos soviéticos após a Segunda Guerra. O foco do enredo é a trajetória dos irmãos nesse período. Não se deixe levar pela capa alto-astral do DVD e pela classificação de comédia: achei mais para drama, às vezes com um toquinho de humor negro. Sabe a história do palhaço triste? Pois é.


Capa do DVD

Aqui vai o trailer:


Cena da abertura:


Página do filme no IMDb: Tem uma resenha bastante esclarecedora, que ajuda a compreender o filme no contexto de outras obras do mesmo diretor. E, como sei que sou péssima resenhista de filmes, vai aqui uma outra muito boa, em português!

Fiquei meio confusa em alguns trechos, acho que em parte por não conhecer o contexto político da época. Achei a produção simples e caprichada ao mesmo tempo. A trilha sonora  é muito boa. Tem curiosidade sobre os filmes húngaros? Confira esse; mas, como escrevi há pouco, não se iluda achando que vai ver uma comédia. O filme até tem uma mensagem de otimismo - pessoas que vão atrás de seus sonhos apesar de todas as dificuldades -, mas é bem sutil.

Ficha: Világszám ("Colossal Sensation", na versão em inglês) (2004 *). Diretor: Róbert Koltai. Duração: 95 minutos. Com Róbert Koltai, Gáspár Sándor, Orsolya Tóth, Jiří Menzel, Gyula Bodrogi, Anna Györgyi e outros. Distribuidora: HungariCom. DVD com legendas em inglês, alemão, francês, russo, italiano, espanhol, romeno, tcheco, eslovaco, polonês e húngaro [ufa!].


(*) Não consegui descobrir se o filme é de 2004 ou 2005, pois encontrei as duas informações e a capa do DVD não diz nada sobre isso!