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terça-feira, 15 de abril de 2014

Sopa de goulash - versão industrializada da Reichenhof

Olá, pessoal!

Há alguns posts, escrevi que ainda ia fazer a resenha de alguns produtos que tinha comprado na Alemanha.
Um deles é... tãdã... sopa vegana de goulash! [música de suspense]

Vi essa latinha tentadora sorrindo para mim no Tegut em Göttingen. Fiquei insegura porque já tinha uma bagagem meio pesadinha e de 400 em 400g se faz um estrago danado - fora o fato de geralmente eu não dar muita sorte com legumes enlatados; mas obviamente eu teria que honrar o nome do blog. Então comecemos pelas fotos:
A cara é boa...

Informações sobre o fabricante - incluindo os dados do site

Ingredientes e informações nutricionais

Vamos aos ingredientes: água, batata, extrato de tomate, cebolas, páprica vermelha, proteína de soja, molho de soja (água, grãos de soja, sal marinho), amido de milho, sal marinho, temperos (páprica, alho, pimenta), açúcar de cana bruto, extrato de malte. Contém glúten.

E agora o teste prático:

Enquanto a foto do rótulo mostra muitos pedaços de legumes e PTS (está mais para goulash do que para sopa de goulash), ao vivo existe uma diferença razoável. Mas sinceramente? Gostei. A parte líquida é bem encorpada; o tempero mais é apimentadinho do que a maioria de nós, brazucas, estamos acostumados (inclusive eu), mas nada que me fizesse cuspir fogo. Também achei positivo não ter tanta PTS assim.

Sabe aquelas latas "pintadas" por dentro? É o caso dessa. O metal não fica em contato direto com o alimento. A sopa não tinha gosto de enlatado - ou, se tinha, a páprica e a pimenta deram uma disfarçada.

Veredito: aqui em casa foi aprovado. Agora falta a versão caseira dar certo, já que a Alemanha não é tão perto para que eu possa comprar mais...


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Proteína de soja com crosta de milho e castanha-de-caju

Aproveitei o feriado para fazer algumas refeições em casa e inventar a gororoba do post.

Lembram-se das PTS que comprei na Hungria? A caixa da esquerda (número 3) foi usada nesta receita e a caixa 2 foi a que usei hoje.

Essa PTS vem em pedaços maiores: mais ou menos 5cm x 5cm x 1cm. A caixa contém 80 gramas.


Detalhe da PTS antes do preparo

Ingredientes:
- 40g da PTS número 3 (6 pedaços, ou metade da caixa)
- 1 laranja
- 1 dente de alho
- sal, ou tempero de alho e sal
- páprica
- 1/2 a 3/4 xícara de castanha de caju triturada
- 2 espigas de milho (pequenas), cozidas, debulhadas e processadas grosseiramente
- cheiro verde (3 ou 4 folhinhas de salsa e seja feliz!)
      
Deixei a PTS hidratando de véspera. No dia do preparo, drenei a água do molho e preparei uma espécie de marinada: água, suco de uma laranja, um dente de alho com pequenos cortes, sal. Os pedaços de PTS tinham absorvido bastante água, mas não se desmancharam.

Depois de 2 horas marinando, foi só temperar a PTS - que tinha quase dobrado de tamanho - e polvilhar tempero de alho e sal e, a seguir, páprica. Então passei os pedaços na farofa de castanha de caju (ela aderiu bem à PTS). Coloquei numa forma untada com óleo (se tiver antiaderente, melhor; ou papel manteiga!) e cobri os "nuggets" (ficou parecido) com uma pasta feita de milho, cheiro verde e o restante da farofa de castanha. Meia hora de forno pré-aquecido e voilà:
Photoshop fail para disfarçar um pouco as manchas de óleo. Papel manteiga teria ficado mais fotogênico


A pasta de milho e castanhas formou uma crostinha que deram um toque especial a essa gororoba. Ficou com um gostinho de PTS, mas suavizado. Embora num primeiro momento ela pareça fibrosa, depois vi que ela tem uma textura mais esponjosa mesmo - afinal, é PTS. Não ficou muito borrachuda, não. No final das contas, até minha mãe aprovou!

 Detalhe da textura da PTS pronta

Essa foi a gororoba do dia. A forma de preparo está aprovada - ou pode ser que eu tenha outras ideias para a PTS que sobrou.  

Atualização (13/05/2013): Descobri um similar nacional! É o bife de soja da CaCaLia (detalhes aqui). Os pedaços são maiores e mais finos; parece torrada. Ainda não experimentei. Será que é bom?

sábado, 13 de outubro de 2012

Rufem os tambores: preparando um goulash de soja

Ao amigo internauta que chegou por aqui procurando receitas pelo Google: vou partir do princípio de que, se você digitou goulash, é porque está procurando aquilo que os húngaros chamam de pörkölt, que é um guisado de carne (e aqui vamos usar soja, beleza?). Já falei sobre isso aqui e aqui e, não bastasse, encontrei um ótimo resumo - com direito a uma tabela comparativa que explica tudo direitinho - neste site. Este outro, com dicas de viagem no estilo slow travel, também é ótimo e já foi para a minha lista de favoritos.

Então vamos ao goulash de soja, ou pörkölt de soja, ou... enfim. Inventei uma gororoba com base nas n receitas que andei pesquisando por aí. Rende 3 a 4 porções. Vamos aos ingredientes?

- 1 cenoura picada em cubos grandes
- 1 pimentão amarelo picado em tiras de tamanhos variados (até 1cm)
- 1 pimentão vermelho picado em tiras de tamanhos variados (até 1cm)
- 2 batatas grandes em cubos
- 2 tomates sem sementes picados em tiras não muito finas
- 1 cebola roxa (grande) picada em pedaços finos [optei pela variedade roxa porque é mais popular na Hungria e, como vou falar mais adiante, eu tinha que dar um pouco de legitimidade à receita!]
- 100g proteína de soja texturizada (conhecida como PVT ou PTS)
- 2 colheres de sobremesa (rasas) de páprica doce
- 2 dentes de alho
- sal a gosto
Aí você vai protestar: "como assim, duas batatas? Na foto aparecem seis!" É que as outras ficaram como acompanhamento e não entraram na receita. As cebolas da foto são pequenas. Usei uma e meia.

E os ingredientes comprados na viagem? Pois é, eu precisava dar um pouco de legitimidade magiar à minha receita, hehehe! Vamos a eles.

Falei sobre a soja Haas neste post. Usei a de número 3 (PTS em cubos). Bem, na verdade ela é produzida na Eslováquia e não na Hungria - afinal, vivemos num mundo globalizado. 

E essa PTS é diferente da que temos no Brasil? Vamos ver. Na primeira foto o detalhe da PTS Haas e, na segunda, detalhe da PTS Frutos da Terra (graúda, escura):

PTS Haas

PTS Frutos da Terra
 
As fotos ampliam se clicadas. A PTS Haas é da variedade clara e tem a superfície mais lisa e brilhante. Lembra um pouco aquelas pipocas de milho naturebas com açúcar mascavo. Ou melhor, lembra aqueles biscoitos sem glúten que são vendidos em casas de produtos naturais. Já a PTS Frutos da Terra tem um aspecto um pouco mais esponjoso.

A páprica Szegedi (o nome da marca quer dizer "de Szeged", que é uma cidade da Hungria onde existe um curso de húngaro que já citei) vem numa embalagem com fecho zip lock. Achei tão prático! 

Apesar do nome, talvez eu tenha comprado páprica sérvia, ou uma mistura de pápricas vindas dos dois países.  É o que diz a embalagem.

Uma coisa que achei interessante: a páprica vendida na Hungria vem com prazo de validade em torno de 6 meses, enquanto para as marcas brasileiras esse prazo é em torno de 12 meses. Acredito que o produto fabricado há mais de 6 meses (e menos de 12, é claro) ainda esteja adequado para consumo, mas já não tão fresco.

Szeged realiza um festival da páprica. Veja!

Sim, mas estávamos falando da preparação do goulash:

- comecei deixando as batatas para cozinhar, pois esse é o ingrediente mais demorado; fiz numa panela separada, já que nem todas seriam agregadas à receita;
- enquanto isso, a PTS vai hidratando;
- também pus a cenoura para cozinhar enquanto cortava e lavava os outros ingredientes;
- em seguida: refogar o alho, sal e cebola até dourar. Acrescentar os tomates, os pimentões, a cenoura e as 2-3 batatas. Refogar mais um pouco e acrescentar a páprica:

Aqui eu tinha acabado de acrescentar a páprica e ainda nem a tinha misturado com os outros ingredientes

No meio do caminho, pus uma parte do refogado no liquidificador, bati e devolvi à panela. Tudo para garantir que o goulash tivesse um caldinho. Acrescentei a PTS:

Tudo junto...

... e misturado

Jó étvágyat! (Bom apetite!)

O resultado foi #fail: não hidratei a proteína de soja por tempo suficiente. Foi minha estreia com a PTS graúda (até então eu só tinha usado a de granulação mais fina, para preparar tacos ou molho à bolonhesa) e vacilei feio. O resultado foram cubos duros e borrachudos.

Também achei que os dois tomates deixaram o prato com um gosto meio ácido. Um só - ou duas colheres de sopa de molho de tomate - já teriam sido suficientes.

Faltou uma pimentinha também. Não é um ingrediente muito usado aqui em casa e acabou perdendo a validade.

É isso, pessoal... de 0 a 10, dou nota 5 ou, vá lá, 6. PTS borrachuda ninguém merece!

Atualização (14/10/2012): sabe quando a comida requentada é melhor que a recém feita? Depois de algumas horas a PTS acabou "desemborrachando". \o/

Agora, uma coisa que percebi nas minhas duas tentativas de fazer goulash vegetariano: não havia nenhum ingrediente capaz de quebrar um pouco o gosto do pimentão, como acontece com a versão original - em que a carne faz esse papel. Talvez um pouco de cogumelo (shitake?) refogado e bem desmanchadinho cumprisse essa função e ajudasse a dar uma coloração mais próxima à do goulash. Ninguém precisa saber, é claro! Fica anotada a ideia na busca pelo goulash vegetariano perfeito.




segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Arrumando as malas

Logo que foi publicado - em outubro de 2011 - o calendário do curso de verão deste ano, mandei um e-mail para a secretaria e também fui providenciar a compra da passagem. Sim, comprei as passagens com oito meses de antecedência. O dólar estava ameaçando subir e, além disso, agosto é alta temporada... depois concluí que não teria feito tanta diferença no preço se eu tivesse esperado um pouco mais - digamos, até abril. Mas como adivinhar? Principalmente porque eu queria viajar no voo direto da TAP, que hoje é a única ligação direta de Brasília com a Europa.

Comprei a passagem em agência de viagens. Antigamente valia mais a pena fazer isso: algumas operadoras tinham promoções exclusivas para as agências. Hoje em dia, com a comissão que eles cobram, tem ficado cada vez menos interessante mas, para quem não tem experiência com viagens internacionais e/ou não quer comprometer muito o cartão de crédito, é uma alternativa. 

As janelas estavam bloqueadas: eu teria que viajar no corredor. Pedi alimentação vegetariana, que a TAP confirmou em poucos minutos. Fiz também o seguro obrigatório para entrar no espaço Schengen. Mandaram-me um link por onde eu poderia acompanhar os dados do voo e de vez em quando eu entrava lá para ver se tinham feito alguma alteração.

Fizeram! Em princípio eu teria umas dez horas entre o pouso e a decolagem em Lisboa. Depois de algumas semanas vi que o voo para Budapeste tinha sido alterado e esse tempo de conexão tinha sido reduzido para três horas. Achei ótimo: menos cansativo e eu chegaria a Budapeste durante o dia.

Chegou então o grande dia da viagem: 27 de julho, sexta-feira. Na hora do check in, o funcionário avisa que o voo sairia com duas horas de atraso. Risco de perder a conexão. E agora?

Fui à lan house do aeroporto, mandei um e-mail à professora que queria saber nossos horários de chegada e... dedos cruzados, rumo à área de embarque. Entre os passageiros estavam os participantes do Coral Brasília, que iam participar de uma competição na Rússia. Depois eu soube que: 1) eles venceram; 2) um dos meus companheiros de trabalho faz parte desse coral. Parabéns, pessoal!

Apesar da minha neurose com o horário da conexão, o voo foi tranquilo. Achei o atendimento simpático (tanto pelo pessoal de terra quanto pelos comissários) e a comida estava boa: na janta, um bolinho de soja com um tempero muito bom, arroz e legumes cozidos (berinjela, abobrinha, cenoura e brócolis). De manhã serviram tofu e uns leguminhos, além de salada de frutas.

O comandante avisou que a previsão de chegada a Lisboa era às 7:50, horário local. O embarque para Budapeste seria às 8:35. Ainda teria que passar pela imigração, descobrir o portão de embarque... é, a essa altura eu já tinha me conformado com a ideia de perder a conexão. O medo era que a bagagem fosse num voo e eu fosse no outro.

Qual foi o desfecho desse voo? Aguarde o próximo post!

PS: O problema dos atrasos parece que infelizmente é comum. Vejam também aqui e aqui.




domingo, 5 de agosto de 2012

Será que agora vai?

Conversando com uma outra participante vegetariana sobre como é difícil fazer compras quando os rótulos são indecifráveis... outro dia fomos ao supermercado e ela me mostrou alguns produtos à base de soja. Acabei comprando as caixas que aparecem aí abaixo:

Diz ela que fica bom. Na verdade não consegui decifrar as instruções e nem tenho o material para preparar comida "de verdade" aqui. Quando voltar a Brasília, peço ajuda à universitária-tradutora-mor ("manhêê!!"), faço alguma coisa e posto o resultado aqui no blog, OK?

Sim, eu sei: "Como é que alguém compra um negócio que nem sabe direito o que é?"

Atualização (13/10/2012):  Aqui vai o link para as informações sobre a PTS em cubos (caixa número 3). O site tem versões em inglês e alemão, mas para essa página só encontrei a versão em húngaro.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Greens e o cartaz para ninguém ter dúvida

Greens, na 302 Norte.


Achei esse cartaz tão incrível que tive que tirar uma foto. O problema é cumprir a instrução que está aí. Não tenho tanta paciência assim.

O Greens é um restaurante natural em Brasília. Ou melhor: são dois restaurantes, um na CLS 202 e o outro na CLN 302. Arroz integral, carne branca, massas, saladas...

Eu já tinha ido algumas vezes ao da Asa Norte e ficado meio frustrada com as opções de proteína vegetal. Quase sempre, feijão e proteína de soja - a famosa PTS (proteína texturizada de soja, também conhecida como PVT: proteína vegetal texturizada, ou "carne de soja"). Há quem diga que a PTS é uma delícia se bem preparada... mas confesso que não sou muito fã. Felizmente ela está deixando o pedestal da comida vegetariana e dando espaço para outras opções.

Hoje no buffet eles tinham tempeh, tofu (preparado com uns temperinhos diferentes) e outras coisas. Maravilha!

PS: Talvez vocês estejam se perguntando: como é que alguém diz não ser fã de PTS e cria um blog chamado "goulash de soja"? Bem, isso vai ficar para um outro post...