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sexta-feira, 21 de julho de 2017

Rumo a Debrecen!

Peguei o Intercity, que depois de 2,5h me deixaria em Debrecen. Os trens saem de hora em hora. Muita gente desembarca em Cegléd e pega baldeações até Nyiregyháza ou cidades mais distantes. Pela primeira vez peguei um Intercity lotado.

No banco da frente viajavam uma senhora e seu netinho em fase de alfabetização. Ele brincava com um jogo da memória (em papel, que coisa nostálgica), batia papo com a avó, ela leu um pouco de uma enciclopédia para ele... só fofura.

Do meu lado sentou-se outra senhora que às vezes conversava com a da frente. Também puxou papo comigo, falei que ia fazer um curso de húngaro... fui praticando com ela. Uma dificuldade que tenho quando converso com os húngaros na rua é quando eles se empolgam para falar e vão usando um vocabulário mais complexo do que estou preparada para entender. O.O. Foi o que aconteceu, hehe!

No meio do caminho a avó e o netinho desceram e o lugar foi ocupado por um tipo meio estranho: carrancudo, parrudinho meio patola, umas tatuagens meio toscas e cicatrizes de faca e/ou queimadura na região do pescoço. Cabelo cortado com máquina e uma bolsa de viagem meio improvisada, costurada à mão. Às vezes ele batia a garrafa de coca-cola na mesa, golpeava o chão com a perna, arregalava os olhos, respirava fundo. Parecia querer chamar a atenção sobre sua presença ali. Principalmente quando um grupo de estrangeiros (tinham uns guias com textos em cirílico) começou a bater papo do outro lado do corredor.

Deu um pouco de medo viajar no assento em frente a esse sujeito: parecia que ele ia surtar a qualquer momento! Claramente não era uma pessoa equilibrada. Mas felizmente nada aconteceu. Cheguei em paz a Debrecen e o restante fica para o próximo post.

Viszlát!

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Chegada a Budapeste e pernoite - Sarokház Panzió

O avião pousou. Descer, esperar a bagagem, trocar euros por forint... só o suficiente para o transporte, já que o câmbio no aeroporto costuma ser ruim.

Aí começou um pequeno stress: na fila havia uns turistas gritando com a funcionária, que não deixava por menos. Barraco! O que eu menos queria para estragar a viagem. Então fui tirar dinheiro com o cartão VTM num terminal de saque.


Aqui vai uma dica: a máquina tem uns valores pré-definidos, sendo o menor deles já bastante alto: 100.000 Ft, o que deu 328,76 euros (+ 2,5 euros a taxa de saque). Essa taxa estava até um pouco melhor do que encontrei em algumas casas de câmbio por aí. O problema é que, dependendo do tempo que você for passar em Budapeste (se for uma viagem de fim de semana, por exemplo), talvez não precise dessa grana toda. Outro detalhe é que o saque foi em notas de 20.000 Ft, a mais alta em circulação (aliás, não me lembro de ter visto notas de 20.000 Ft em viagens anteriores... a mais alta era a de 10.000 Ft). Seria mais ou menos como uma nota de 180 reais. Não é em qualquer lugar que você consegue trocar... e de repente eu estava com 5 notas de valor alto!

Cédulas de 5.000 Ft (modelo antigo e, abaixo, o modelo novo), 10.000 e 20.000 Ft

Eu tinha pesquisado hotéis e pousadas perto do aeroporto. Peguei um táxi (vá ao guichê de táxis oficiais!!!) e já sabia quanto ia pagar. Fiquei num local chamado Sarokház Panzió.

Aqui uma observação: embora no mapa o aeroporto de Budapeste pareça bem central, ele fica longe de praticamente tudo! Os terrenos em volta são geralmente ocupados por hipermercados, empresas de logística, companhias que precisam de terrenos grandes e próximos ao aeroporto.
O táxi até a pousada saiu por 1500 ou 1800 Ft, não me lembro.

A Sarokház Panzió tem como principal atrativo o fato de ficar perto do aeroporto e é voltado a esse público. O café é pago à parte e custa 6 euros. Os preços são referenciados em euros e você pode pagar nessa moeda. A diária para uma pessoa custa uns 30 e poucos euros.


A pousada funciona em dois casarões vizinhos. Fiquei num quarto desses que parecem um sótão. A funcionária do horário da manhã era mais simpática que a da noite, mas ambas bem profissionais e responderam rápido aos e-mails que enviei antes da viagem pedindo para fazer a reserva.

A decoração das áreas comuns é bem, digamos, curiosa e eclética. A rede wifi funcionou bem, exceto na volta (também me hospedei lá pouco antes de pegar o voo saindo de Budapeste), quando houve um problema geral na internet da região.

O café... achei que poderia ter mais variedade, mas veio num momento certo e paguei os 6 euros sem problemas. Se você vai à cidade logo cedo, talvez prefira tomar um café mais tchan em outro lugar.

Algumas fotos: 








No dia seguinte à chegada peguei o transfer para a estação Nyugati por 20 euros. É longe mesmo... mas eu poderia ter ido à estação Ferihegy e tomado lá o trem para Debrecen.

Até hoje nunca entendi como funciona o transporte entre o aeroporto e a estação... o pessoal dos cursos até costuma enviar um "manual de instruções" com essa dica, mas realmente vacilei. Falando em "manual de instruções", vejam este post com dicas de como chegar a Debrecen.


Uma dica que vejo nesses "manuais de instruções" é sobre como pegar o trem direto do aeroporto. Bem, nunca fiz isso. Sempre fiz o esquema de chegar a Budapeste, pernoitar lá e no dia seguinte ir à cidade do curso (Pécs, Szeged, Debrecen). E, se você vai sair do Brasil para fazer um curso fora de Budapeste, recomendo que considere fazer isso. Por quê?

Um estudante que saia de outro país europeu vai levar no máximo umas 3 horas para chegar a Budapeste, e terá várias opções de voo. Já quem sai do Brasil tem que pegar um voo longo, que pode se atrasar, e uma conexão curtíssima em CDG, AMS, FRA... a margem de erro é muito grande e infelizmente as empresas estão com essa tendência de vender conexões curtas. Outra coisa é que, como Budapeste não é ponto de conexão, muitos voos que costumo pesquisar chegam lá no final da tarde ou à noite (17 ou 22h). Então, se você tiver algum problema, não dá tempo de pegar o trem para a cidade aonde você vai. E ainda periga ter que pernoitar no aeroporto.

Lembrando que em 2015 o voo para Budapeste saiu com um atraso de umas 3 ou 4 horas. Então é melhor estar preparada.

Viszlát!.

sábado, 15 de julho de 2017

O dia da viagem

Chegou o grande dia. Tirei 3 semanas de férias para conseguir acomodar melhor o período do curso dentro do tempo de viagem e não ficar tão corrido. Embarquei em Brasília numa quarta-feira, dia 17.

Primeiro tive problemas na maquininha do check in. Tive que pedir ajuda ao funcionário que ficava ali, ajudando um monte de passageiros com a mesma dificuldade. Na hora de imprimir as etiquetas de bagagem, uma surpresa: não imprimiu até Budapeste, e sim até Amsterdã. Então fui pegar a fila para despachar a bagagem - antes tive que passar por uma funcionária da triagem/leoa de chácara cuja função parece ser descobrir problemas que impeçam você de entrar logo na fila; essa funcionária disse que a informação da etiqueta estava correta e eu teria que redespachar a bagagem em AMS (gente, isso de despachar no primeiro destino é verdade em voos para os States, por exemplo; mas no Espaço Schengen você pega a bagagem no destino final).

No balcão aconteceu o seguinte:
- A moça disse que eu só teria direito a um volume. Detalhe: eu tinha comprado passagem antes das novas regras; além disso, os voos internacionais para fora da América do Sul ainda estavam valendo. Tive que mostrar o bilhete impresso pela agência com a discriminação de bagagem.
- Ela imprimiu as etiquetas até Budapeste. Disse que o sistema impedia que eu imprimisse para todos os destinos, já que parte da viagem seria feita no dia seguinte. Agora: como é que a moça da triagem não sabia disso?
Enfim... a verdade é que eu já vinha de algumas experiências ruins com a LATAM e não fiquei nem um pouco contente. Não que eles estejam preocupados com isso, né? :-D E também não que a Gol seja a oitava maravilha do mundo. Fazer o quê, né?

Desembarquei em Guarulhos e lá se vão 8 horas de espera. Eu ainda não conhecia o Terminal 3. Enorme!
Uma coisa que me chamou a atenção - porque não é muito comum em aeroportos - é que os frequentadores sofrem um certo assédio de pessoas estranhas às atividades do aeroporto. Veio uma moça falando em inglês pedir ajuda para uma organização de caridade.
No mais, gostei do novo terminal. Bem servido de lojas, áreas de espera e tomadas. Poderia melhorar um pouco a sinalização, para dar mais confiança ao viajante que tem que fazer longas caminhadas lá dentro.

O voo foi tranquilo. A comissária responsável pelo setor em que eu estava era uma simpatia. Às vezes falava meio cantarolando, uma figura! Gostei da comida vegetariana também.

O avião pousou e logo na saída do finger já havia funcionários olhando passaportes e perguntando o destino final. Apresentei meu passaporte húngaro (essa é uma novidade em relação aos outros voos! Tirei no final do ano passado) e achava que os cidadãos europeus simplesmente entrassem sem ter que explicar nada. Mas não.
Saindo do finger, a inspeção de segurança. Achei também mais meticulosa do que nos outros aeroportos, com revista manual em todo mundo. O que amenizou um pouco foi o funcionário do equipamento de raio X, piadista e figuraça. E por fim, andamos por várias partes de comércio até chegar à fila da imigração. Todo mundo pegou a mesma fila. De novo me perguntaram qual o destino final.

Em tese seriam cerca de 2 horas para a conexão. Com a pequena fila da imigração, é tempo suficiente, sim. E de qualquer forma, o voo para Budapeste saiu atrasado - assim como outros que estavam sendo anunciados para os passageiros daquele portão. Aliás, teve mudança no portão de embarque.
Achei o aeroporto de Amsterdã um pouco mais confuso e proporcionalmente acanhado do que os outros que conheci na Zoropa. No portão de embarque, por exemplo, as pessoas se apinhavam. Mas no fim tudo deu certo. Mais um voo e rumo a Budapeste!

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Preparando a viagem - passagem e seguro

Havia vários meses que eu estava de olho nos preços das passagens, principalmente pela TAP. A Air France já havia deixado de operar o voo Brasília-Paris, infelizmente.

Preços da TAP: terror feat pânico

Só que a TAP estava com preços absolutamente inviáveis! Enquanto as outras cobravam R$3300-3600 com taxas (o que eu já estava achando caro, pois havia pago isso 2 anos antes para viajar na altíssima temporada), a TAP estava cobrando incríveis R$6200!! E não estavam mais operando voos diretos Lisboa-Budapeste. Gente, e eu começo a pesquisar uma viagem logo que volto de outra. #soudessas

Resultado: faltando uns 4 a 5 meses para a viagem, vi que os preços não baixariam. Comprei a passagem pela KLM, que estava um pouco menos cara que as outras empresas. A viagem ficou BSB-GRU-AMS-BUD. Os detalhes eu conto num próximo post!

Outro ponto: seguro de viagem.
A moça da agência me ofereceu um seguro padrão para a Europa. Perguntei se tinha cobertura para a Europa fora do espaço Schengen, pois estava querendo fazer um bate-volta na Romênia (acabei não fazendo, chuifs!). E não, não tinha. Acabei fazendo um seguro da Affinity com cobertura geográfica mais ampla, que incluía a Romênia.
Moral da história: se você estiver pensando em visitar um país do espaço Schengen, principalmente se ficar perto da fronteira com algum país de fora dessa região, considere fazer um upgrade no seu seguro. Você nunca sabe que oportunidades de passeio podem surgir (como o bate-volta que fiz na Sérvia, por exemplo).

Por enquanto é só. Viszlát!

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Budapeste - comentários rápidos (ainda 2015) e virando a página

E aí, pessoal?
Neste post vou comentar algumas coisas rápidas sobre a passagem por Budapeste em 2015.

Fiz o curso de 3 semanas e tirei 28 ou 29 dias de férias, algo assim. Aproveitei uns 3 dias em Budapeste antes de voltar a Brasília. Não vou entrar em muitos detalhes porque a viagem foi há bastante tempo e o que não falta são blogs de viagens com muitas dicas.

Achei que tivesse comentado em algum post sobre o curso de Szeged que havia uma excursão opcional para Budapeste; bem, essa excursão é uma viagem de ida e volta no mesmo dia. A viagem de trem dura pouco mais de duas horas. Andamos um pouco na Praça dos Heróis, vimos por fora a Casa da Ópera, fomos ao castelo de Buda, andamos algumas vezes de metrô... enfim, fizemos o que é possível fazer em um dia do percurso turístico clássico Muitos lugares, como o mercado central, vimos só por fora e na correria. O que teve de diferente - pois nem todo mundo faz - foi a visita ao Parlamento por dentro.

Se você vai fazer o curso em Szeged e vai tirar pelo menos uns 2 ou 3 dias em Budapeste (provavelmente vai, já que o aeroporto é lá), sinceramente não sei se vale muito a pena esse passeio... é muito corrido. Vale pela companhia dos colegas e também se você quiser conhecer o Parlamento sem ter que se preocupar em agendar - já que a coordenação faz isso pela turma.

Quando terminei o curso, tive alguns imprevistos e precisei arrumar hotel na última hora. Era alto verão e estava na época do Festival de Sziget. Foi um sufoco e não consegui hospedagem para todo o tempo que ficaria na cidade. Tive que pernoitar num local e ir para outro no dia seguinte. Ambos ficavam fora do epicentro turístico de Budapeste. Vamos a eles:

- Jagello Business Hotel: site aqui. Situado no lado Buda (mais caro e íngreme), perto de um complexo empresarial modernoso. O foco são viajantes de negócios. Gostei da hospedagem, do atendimento e só saí porque não teria vaga no dia seguinte. Obs: o ar condicionado é central. Se ajustar a temperatura é importante para você, pese isso na sua decisão.




- Karin Hotel: site aqui. Esse hotel na verdade é uma mistura de pensão familiar, pousada e apart hotel (!). Não fiquei no casarão principal, e sim numa outra unidade que eles mantêm ali por perto. Fica em Újpest, um distrito que desconfio ter sido um município "engolido" por Budapeste durante o seu crescimento. Para ir à cidade é necessário pegar ônibus e metrô (eles dão um folheto que explica bem direitinho); ou seja, é bem longe do fuxico da cidade. Perto do metrô existe um centrinho de comércio.
Apesar dessas desvantagens do isolamento, achei um local excelente para viagens em família: tem cozinha, quarto e uma pequena sala numa região residencial. Você praticamente consegue "morar" na cidade enquanto está lá. Apenas não se esqueça de sair antes das 11, quando fazem o checkout, hehe! Ah, eles também têm transfer para o aeroporto. Sai caro - em torno de 8000 forint -, que parece ser um preço meio padrão.











Sobre os passeios: como eu já tinha feito a excursão com a turma e na verdade já tinha feito um superpasseio com algumas pessoas da família uns anos antes, aproveitei para me concentrar nas imediações do mercado e da Váci ucta mesmo. Também me juntei a dois grupos de passeios "free walking tour", naquele esquema em que você escolhe quanto pagar ao guia. São vários grupos que oferecem esse tipo de serviço:

- Free Budapest Tours: (site): tem tour geral, tour político, caminhada pelo bairro judeu, tour em espanhol... fiz o tour em espanhol sobre comunismo com uma guia chamada Martina. Recomendo!

- Free Walking Tour (trip to Budapest): site. Fiz um tour (em inglês) no bairro judeu. Hoje é um lugar hipster, com grafites interessantes. A guia era da comunidade judaica e deu uma verdadeira aula.

Embora o tour do bairro judeu tenha sido interessante, não consegui aproveitá-lo tão bem como o tour sobre comunismo: o grupo era maior e confesso que minha compreensão de inglês nem sempre ajuda. Se puder escolher entre dois tours sobre o mesmo tema - um em inglês e outro em espanhol, fico com o segundo. Além de ser mais fácil de entender (para mim), existe outra vantagem: os grupos são menores, o que facilita chegar perto do guia e escutar o que ele diz; e o grupo de turistas geralmente tem mais química, já que tem mais possibilidade de serem nativos de países que falam o idioma do tour - e com isso acaba aparecendo mais assunto. Eu mesma bati papo com um arquiteto mexicano e alguns amigos dele que também fizeram o tour comunista.

A experiência "ahn?" da viagem ficou para o pernoite que fiz no aeroporto (sim, pelo horário do voo tive que passar a noite lá) quando, escutando rádio, eis que do nada toca essa música O.O

E, falando em aeroporto, uma dica que não vi nos blogs: tem um supermercado lá! É uma unidade do Spar. Não fica no terminal dos voos internacionais, e sim no terminal 2B - no piso inferior, do desembarque. Fiquem ligados também nos horários, já que muita coisa fecha cedo por lá.

No próximo post chego com assuntos atuais e uma supresa. :-)

terça-feira, 23 de maio de 2017

Bate-volta em Subotica

Sziasztok!

Uma vez que vocês já sabem como evitar alguns apertos que passei na viagem a Subotica (perdi o único ônibus e tive que arrumar hospedagem de última hora), vamos agora falar sobre a cidade.

Subotica (Szabadka, em húngaro) é a quinta cidade da Sérvia em população. Fica em Vojvodina, cuja capital é Novi Sad (cidade de origem da representante sérvia na nossa turma). Fez parte do império austro-húngaro e tem uma parcela significativa de população de origem húngara. Parte das pessoas que encontrei lá falavam o idioma - inclusive muita gente que trabalha na rodoviária (balcões de venda de passagens e também a senhorinha do banheiro).

Logo que desci na rodô, andei meio sem rumo entre os blocões dos tempos do comunismo. Essa é uma diferença marcante entre duas cidades tão próximas: Subotica tem mais cara de "cortina de ferro" do que Szeged: prédios de governo dos anos 70, alguns carros fabricados nessa época (que saí fotografando, porque não resisto, haha!). Então vi uma torre de igreja e pensei: "o centro deve ser para lá".

Quando fui andando, vi um festival folclórico acontecendo. Já comprei uns ímãs de geladeira na feirinha e fui andando por ali. Uma mistura de novo e antigo, prédios com detalhes diferentes e interessantes. Fui atendida com simpatia pelos prestadores de serviço e achei os preços bastante acessíveis. A Sérvia passa aquela imagem sisuda, mas só posso dizer que vale a pena um passeio lá.

Da série "evitando perrengues":

- Felizmente eu estava com o cartão VTM. Não encontrei casas de câmbio abertas no centro - pelo menos nos horários e locais onde passei, e era domingo - e tive que sacar num caixa automático.

- O seguro "padrão" da April/Coris para a Europa serve para o espaço Schengen. Como a Sérvia não faz parte desse grupo, fiquei sem cobertura enquanto estive lá.

- Veja este post!!!

Da série "5 estrelas no TripAdvisor":

Boss Caffe: restaurante com comida boa, serviço rápido e preço bom. Pedi uma combinação vegetariana que me deixou de barriga cheia e custou uns 5 euros, incluindo suco.

Guesthouse Mali Hotel Subotica: precisando de um hotel de última hora, fiquei um tempo pendurada num wifi gratuito que encontrei no centro. Decidi arriscar um hotel que encontrei na net (não lembro o nome). Estavam recebendo um time de basquete para uma competição e estava cheio... perguntei se havia outro por perto e me indicaram o Mali. A dona é superprestativa. O quarto é confortável e o preço também estava bom. :-)

Uma coisa que me chamou a atenção na Sérvia foi a nota de 100 dinares, com a estampa do Nikola Tesla. Achei tão nerd, hehe!

Algumas fotos, lembrando que o Flickr tem muito mais. E espero ter uma oportunidade de voltar à Sérvia e curtir com mais calma. :-)












Bate-volta em Subotica (Sérvia) - evitando perrengues

E então, pessoal, beleza?

Aqui vou escrever um spoiler do perrengue que passei no meu bate-volta na Sérvia - mais especificamente, na cidade de Subotica. Se estiver pensando em fazer um passeio desses, não deixe de ler! E também não deixe de fazer o passeio, é claro.

Como iniciou a aventura?

O ônibus sai de um terminal que nem tem muita cara de terminal. Aqui: https://www.google.hu/maps/@46.2575031,20.1415293,3a,75y,224.93h,94.84t/data=!3m6!1e1!3m4!1sEVF7feZkt4NQc88fxvOkWw!2e0!7i13312!8i6656 (
"Autóbuszállomás Szeged"). Também é importante saber os nomes das cidades nos dois idiomas:
- Szeged (húngaro): Segedin (sérvio)
- Subotica (sérvio): Szabadka (húngaro)

E as linhas/empresas de ônibus?
Pois então... pesquisei e encontrei alguns PDFs como este. O detalhe são as letras miúdas: nem todas as linhas funcionam o ano todo.

Então o que aconteceu? Resumidamente: peguei o ônibus da linha Budapeste-Belgrado-Budapeste, subindo em Szeged e descendo em Subotica. Essas cidades na época estavam ligadas por esse único ônibus. Olhei os horários e pensei que teria umas 3 a 4 horas para curtir a cidade. Quando voltei à rodoviária, não reparei que o ônibus NÃO ficava na mesma plataforma onde eu tinha descido. Vi o dito-cujo indo embora e me deu um desespero... tive que arrumar um pernoite de última hora na cidade.

Depois um colega alemão me disse que era possível pegar um ônibus até a fronteira, atravessá-la a pé e pegar outro ônibus do lado húngaro. Realmente não sei e acho arriscado, pois as cidades são pouco conectadas.

Importante: a Sérvia deixou de exigir visto de brasileiros há poucos anos. No entanto, vi em alguns blogs que era necessário pegar o comprovante de estadia no hotel ou pousada. Pelo sim, pelo não, peguei esse papelzinho. Realmente o pessoal da fronteira reteve esse comprovante quando passei na volta. Ouvi histórias de gente que teve que pagar multa porque não pegou o tal papel. Não deixe de pedi-lo onde se hospedar, OK?

O próximo post vai ser sobre a cidade.

Ônibus que faz o percurso Subotica-Szeged. Reparem que não tem pintura da Volanbusz, e sim de uma empresa sérvia
 
O papelzinho do hotel recolhido pela polícia de fronteiras da Sérvia




terça-feira, 16 de maio de 2017

Curso em Szeged (antes tarde do que nunca?)

Sziasztok!

Vejo que nesta época - e depois em outubro, novembro, por aí - muita gente chega aqui procurando por informações sobre cursos de imersão. Engraçado que tem a época do espanhol, a época do húngaro... pouca gente chega procurando sobre o curso de alemão, talvez porque os alunos do Goethe no Brasil mais cedo ou mais tarde conhecem alguém que fez lá.

Fiz o curso de verão em Szeged em 2015 (!!!) e na época praticamente não postei. Agora vou escrever um resuminho, que infelizmente vai ficar com um certo gosto de comida requentada. Não tem mais o calor do momento... mas quem sabe ainda valha pela informação. [Edit: recebi o link em maio/2017: http://www.arts.u-szeged.hu/english/summer-course/summer-university

Alguns posts antigos aqui e aqui. 

A viagem foi pela Air France, no voo direto BSB-CDG que deixou de operar no ano passado. :-(   Estava mais em conta que a TAP, empresa que tinha me transportado nas outras viagens. Achei bom o serviço da Air France... o único "porém" é que eles se embananaram com a comida vegetariana: na ida entregaram para meu vizinho de mesa, que felizmente percebeu, e na volta não me deram! Havia outra vegetariana num assento próximo ao meu e que também tinha pedido refeição especial. Acredito que eles tenham achado muita coincidência duas vegetebas sentadas tão perto uma da outra e resolveram que só havia uma. Sei lá...
O aeroporto é enorme, mas bem sinalizado. Eu tinha 1h50 para a conexão e estava angustiada pelo pouco tempo; no fim foi suficiente.
O voo CDG-BUD saiu com mais de 2h de atraso, e isso por dois motivos:
- havia um grupo de cadeirantes (talvez vindos de algum congresso ou competição esportiva) cujo embarque demorou um pouco mais.
- Estava chovendo forte em Budapeste. Quer dizer: "forte" para os padrões de lá; quando desembarquei, o taxista falou em "tempestade" e havia áreas alagadas. Para os padrões tropicais seria uma chuva assim um pouco mais caprichada. :-D
A chegada a Szeged foi num esquema parecido com o de Pécs: alguns dias antes a coordenadora mandou um e-mail perguntando o horário exato da chegada (veja horários de trens aqui). Algumas estagiárias ficavam na estação aguardando os grupos de alunos e iam conosco ao local de hospedagem.
A hospedagem fica para outro post, beleza?

Aviso: Os posts sobre Szeged provavelmente ainda vão ser editados à medida que eu recupere material, fotos, etc. Já já eu conto porque resolvi levantar o traseiro gordo me apressar com eles, hehehe!
 

quinta-feira, 21 de julho de 2016

De volta ao Brasil!

Último dia de aula e a parte triste: despedidas. Tanta gente boa que conheci lá e, mesmo que não mantenha contato com todos, sei que valeu muito a pena ter conhecido. S2

O dia seguinte, um sábado, seria o retorno. Meu voo estava marcado para pouco depois das 13h. Como as malas já estavam feitas e eu sabia que o aeroporto era longe, desci em torno das 7h para pegar um táxi até perto do hotel Nutibara, de onde pegaria o ônibus até o aeroporto [dicas aqui]. Paguei ao mesmo homem que tinha encontrado vendendo brochuras no dia da chegada, e vi a cidade ficando cada vez mais longe no meio das montanhas.

Chegando ao balcão da Copa, uma surpresa: a funcionária ofereceu a possibilidade de antecipar o voo para o Panamá. Aceitei e pude fazer uma conexão mais tranquila. Não só isso, mas eles providenciaram uma comidinha vegeteba para o voo que de repente seria nesse novo horário. Parabéns para a Copa!

Não havia fila para carimbar o passaporte. O policial fez umas perguntas - nada muito diferente de um bate-papo normal - e gastei os últimos pesos colombianos comprando biscotinhos no Juan Valdez. Rumo ao Panamá e de lá seguindo para Brasília.

Explorei um pouco as áreas de wifi no aeroporto panamenho, fiz um lanche e dei uma xeretada nas lojas  para enrolar até a chamada do embarque. O próximo passo foi entrar no avião rumo a Brasília no trecho mais longo da viagem, para abrir malas e contar histórias no dia seguinte.   

terça-feira, 19 de julho de 2016

No dentista em Medellín

É, gente...

Poucos dias depois que cheguei, quebrou uma lasquinha de um dente. Na verdade foi um pedaço da restauração. Não chegou a ser um grande incômodo, exceto quando eu cutucava com a língua.

Eis que, faltando uns 10 dias para voltar ao Brasil, senti que outro dente estava quebrado - e com esse a coisa era mais séria: eu já havia sofrido uma quebra na raiz e percebi que a situação era igual. Uma parte do dente dançava quando eu cutucava e, além disso, a região latejava e doía.

Quando me perguntam: "o que você comeu para isso acontecer?" - olha, nada especial. São dentes que já tinham restaurações muito grandes para o tamanho deles e, segundo a dentista explicou certa vez, nessa situação a parte natural pode ficar fragilizada.

A dor, o inchaço e o latejamento foram piorando, piorando... até que enviei um whatsapp à minha dentista contando o acontecido. Ela indicou um anti-inflamatório e disse que seria bom procurar logo um profissional.

Eu tinha feito seguro pela Coris (acho que eles ainda não tinham feito essa fusão com a April) e recebido a orientação de entrar em contato com eles em caso de necessidade. Procurei um orelhão e liguei a cobrar para o Brasil, para o número indicado nas orientações deles. A surpresa foi que o número só dava ocupado!

Tentei então adicioná-los no Whatsapp... e o símbolo do zapzap não apareceu na lista de contatos. Fiz várias tentativas - com e sem prefixo internacional, com e sem prefixo local, de todo jeito - e nada. Meu primeiro pensamento foi de que o número não estava cadastrado no aplicativo; mas estava e eu é que não sabia adicionar. Depois de todo o drama vi que tinha conseguido, mas já era tarde.

Resultado: desisti de acionar o seguro - que aliás, dava uma cobertura de "até" US$700 para emergências odontológicas - e procurei uma clínica 24h. Isso foi num sábado.

Acabei marcando uma consulta para dali a 1h e meia numa clínica perto da UPB: Alternativas Odontológicas. Fui atendida pelo dr. José Pablo Montoya Bernal, que logo confirmou a suspeita: o dente estava quebrado na raiz e a fratura era bem profunda. Ele disse que não tinha outro jeito senão extrair e colocar um implante. E uma semana não seria suficiente para a cirurgia de extração. Eu voltaria ao Brasil no sábado seguinte. De qualquer forma, para mim seria melhor passar por uma cirurgia perto de casa e com o apoio da família... sem falar na questão da grana.

Gostei do atendimento: o dr José Pablo é bem simpático e segue uma prática que infelizmente está saindo de moda: o bate-papo depois da consulta, em que o profissional explica o problema com palavras e desenhos. Meu oftalmo faz isso e acho bem bacana. A gente sente mais segurança para tomar decisões e seguir o tratamento.

Passei minha última semana em Medellín tomando anti-inflamatório (de um tipo que é vendido sem receita aqui e lá) e tomando cuidado para mastigar só de um lado. Voltei ao Brasil e iniciei o tratamento aqui. A dentista não chegou a condenar meu dente: extraiu a parte quebrada da raiz e está colocando uma coroa. Não estou entendendo muito bem a dinâmica do tratamento, porque em várias sessões ela arranca dente, cutuca, faz molde, põe massa e na sessão seguinte começa tudo outra vez. Socorro!

Acredito que esse dente esteja numa situação limite para a decisão de extrair ou de preservar o pedacinho micro que ficou. A vantagem é que não passei por cirurgia, pontos, anestesia e tal. Fora a questão psicológica de saber que ainda tenho alguma coisa do dente natural. Mas o preço é praticamente o mesmo que se eu fosse extrair e fazer implante. :-/

Essa foi minha primeira emergência de saúde em viagens e espero que não surjam outras! Algumas lições que aprendi do episódio e passo para vocês:

- Fez seguro? (Apesar de tudo, recomendo fazer): adicione os contatos na agenda do celular antes de sair do Brasil.

- Tenha uma forma de contato dos profissionais de saúde com quem você se trata com maior frequência - nem que seja um e-mail. Poder conversar com a minha dentista fez toda a diferença.

- Foi um dos poucos momentos em que senti falta de ter um número de telefone na Colômbia, porque quando marquei consulta eles pediram. O hostel não tem recepção, e os números que tínhamos disponíveis para contatos de emergência eram os do Joel e da Leidy. Mas não serviriam para essa situação, né? Dependendo do seu tempo de permanência, pode valer a pena comprar um chip de celular.

- Se você precisa de algum remédio de uso contínuo, leve-o logo com você. Não foi meu caso com o anti-inflamatório, cuja necessidade apareceu de surpresa. Mas dei sorte: em alguns países, como os EUA, a lista de remédios que podem ser comprados sem receita é bem mais restrita. Se hoje eu viajasse rumo aos States, provavelmente levasse anti-inflamatório, remédio para o estômago e analgésico, só pra garantir. Vai que a cólica do mês chega mais forte, ou  você come alguma coisa que cai mal... tudo isso pode estragar sua viagem.

- A seguradora dá uma lista de números para você ligar a cobrar? Nem todos os países dão essa possibilidade. Ano passado, por exemplo, estive na Sérvia - e não tem como ligar a cobrar pela Embratel a partir de lá. Não sei como teria feito se tivesse passado algum perrengue naquelas terras. Veja isso antes de viajar, OK? Por mais que o funcionário da agência de turismo fique impaciente com tantas perguntas e queira empurrar uma resposta do tipo "se acontecer, depois lá você vê isso".

Por enquanto é só. Até o próximo post!

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Medellín - a chegada

O avião pousou e a curiosidade era forte. Tendo viajado no corredor, nem tive o gostinho do preview pela janela. Agora era pegar um carimbo no passaporte e a bagagem na esteira.

Foi tudo rápido e tranquilo. A funcionária da imigração me perguntou a profissão (é de praxe) e o objetivo da viagem. Falei que ia fazer um curso e já entreguei a carta-convite. Ela olhou um instante, carimbou, anotou na estampa o tipo de permiso e... "bienvenida!" \o/

Dica: tenha anotado o endereço de onde vai ficar. Em Cartagena pediram, em Medellín - pelo menos dessa vez - não. É bom ter sempre esse endereço anotado, de qualquer forma, também para facilitar sua vida com os taxistas.

Além de recolher as bagagens, tem a inspeção da aduana - que nunca sei muito bem como funciona. A funcionária pediu para botar a bagagem na esteira de inspeção e depois sumiu! Sei lá, era só isso? Fui ao balcão de informações turísticas pegar o mapa da cidade. E rumo a Medellín!

A cidade é atendida por dois aeroportos: Enrique Olaya Herrera (EOH), pequeno e dentro do perímetro urbano. A comparação com o Santos Dumont ou Congonhas não cabe aqui, pois é um aeroporto realmente bem pequeno. Uma curiosidade é que nesse local morreu Carlos Gardel em 1935, num acidente durante uma operação de decolagem. O outro aeroporto, que recebe aviões de grande porte, é o José María Córdova (MDE), que na verdade fica no município de Rionegro - a uns 50km de Medellín. 

Minha ideia inicial era pegar um táxi (tabelado a 65.000 pesos), mas antes de encontrar o balcão já vi o ponto de saída dos microônibus que fazem o mesmo serviço a 9.000 pesos. #partiuônibus #boraeconomizar

A empresa que presta esse serviço é a Combuses. Os ônibus têm um bagageiro na parte de trás e você recebe umas peças de plástico numeradas que identificam sua bagagem. O pagamento é feito já dentro do ônibus. Tanto na ida quanto na volta encontrei um homem que recolhia o dinheiro, dava o troco e depois pedia um instante da atenção dos passageiros para mostrar uma coleção de brochuras que estava vendendo. Ele tinha todo um discurso para mostrar o quanto seus livros tinham informação interessante. Tudo falado com a pronúncia clara à qual eu me acostumaria depois. Comprei um atlas da Colômbia (bem simples) dentro do objetivo de tentar sempre aprender alguma coisa sobre os lugares que visito.

Aqui você encontra mais informações sobre o trajeto. E aqui em português, no ótimo e sensacional blog O nome disso é mundo. O pessoal que escreve sobre Medellín está lá há algum tempo, dá ótimas dicas e escreve muito bem. Pena que eu já tivesse descoberto o blog depois que voltei; nem pude conhecer os autores pessoalmente.

O ônibus seguiu por uma estrada sinuosa num dia nublado, passando por grupos de ciclistas. Não é à toa que as equipes colombianas de ciclismo estão sempre se destacando nas competições. Onde houver uma estrada cheia de subidas, os loucos atletas estão treinando sem medo de ser atropelados.

Descemos em frente ao Centro Comercial San Diego. Ali um rapaz pegou minha bagagem, pôs num táxi e com isso tive que pagar uma gorjeta para ele. Paguei com o pouco trocado que tinha. A cidade num ritmo veloz de um sábado pela manhã. O pessoal de Medellín corre para aproveitar a manhã de sábado resolvendo aqueles assuntos pessoais que não dá tempo de resolver durante a semana; fazer compras, levar carro à oficina, etc. E, bem, eu ali grogue depois de uma noite não dormida num 737.

O taxista me deixou no bairro Belén Rosales, que seria meu lar pelo próximo mês. Mas isso já é assunto para outro post!

Obs: aqui já vai a dica para a volta: os ônibus que saem de Medellín rumo ao aeroporto não necessariamente param no CC San Diego. É mais garantido pegá-los no ponto inicial, perto do Hotel Nutibara (região central). O ônibus que peguei, por exemplo, não passou lá. Dizem que do San Diego saem uns táxis compartilhados. Como tenho um pé atrás com transportes "alternativos", preferi pegar o ônibus no centro mesmo.