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domingo, 18 de maio de 2014

Andei vendo: A Copa Esquecida

Hoje foi o último dia do festival. Os três filmes pareciam interessantes mas, com a correria do fim de semana, achei melhor conferir um só e optei pelo que tinha o tema mais inusitado.

"A Copa Esquecida" é uma co-produção ítalo-argentina, que trata de um mundial de futebol  que teria sido realizado na Patagônia argentina em 1942 - ou seja, no auge da Segunda Guerra.

Como assim? Tudo começou quando um conde chamado Vladimir Otz resolve entrar em contato com a Fifa para garantir a realização da Copa do Mundo e propõe realizá-la na Patagônia. Gasta muito dinheiro, contrata um cinegrafista, manda confeccionar (ou trazer?) uma taça e, ao perceber que não é levado a sério, resolve organizar o mundial assim mesmo. As equipes são formadas por imigrantes, soldados, índios mapuches...

Imagens de arquivo, entrevistas com ex-participantes ou seus descendentes... alguns são verdadeiras figuraças, como o neto do cinegrafista Guillermo Sandrini. Alguns lances curiosos e frases inesperadas garantem vários momentos engraçados. Sem falar do inusitado árbitro.:-)

O filme é classificado como documentário, mas... ("spoiler" aqui; análise mais detalhada aqui)

Dos filmes que vi no festival, esse foi um dos meus preferidos. Ficou muito acima da expectativa. A história é realmente interessantíssima e a montagem ajuda a tornar o filme ainda mais envolvente. Recomendadíssimo!


Ficha: A Copa Esquecida ("Il Mundial Dimenticato"), 2011. Direção: Lorenzo Garzella, Filippo Macelloni. 95 min.

domingo, 9 de junho de 2013

Filme: Puskás Hungria

Como escrevi neste post, o CCBB está apresentando uma mostra de filmes húngaros. Comi mosca nos primeiros dias e estou tentando recuperar um pouco o tempo perdido. Agora foi a vez de um documentário: Puskás Hungria ("Puskás Hungary"). 

Aqui vai uma parte (legendas em inglês); e aqui vai o trailer.

Eu mesma sabia muito pouco sobre a vida dele: sabia que foi o mais famoso futebolista húngaro e considerado um dos melhores do mundo, fez parte do grupo que encantou o mundo na Copa de 1954, tinha patente militar e... pouco se fala do "depois". Algumas referências ao fato de ele ter jogado no Ocidente e terminado a carreira mais velho, com problemas de sobrepeso... até o falecimento em 2006.

Só que a trajetória de Ferenc Puskás (ou Ferenc Purczeld Biró, seu nome de registro) foi bem mais interessante do que isso. O documentário segue uma ordem cronológica, um pouco quebrada no final, para mostrar como o garoto simples que jogava com bola de meia chegaria ao Honvéd, à seleção húngara e depois ocuparia outros espaços no futebol pelo mundo. Muitos depoimentos de amigos, parentes e do próprio Puskás. Às vezes esses depoentes falam diretamente para a câmera e às vezes os depoimentos são usados como narração. Fotos, gravações de época... a narração da final de 1954 com a Alemanha, com as frases de efeito do locutor, garantiu algumas risadas da plateia durante a sessão. Outra fonte de informação: as fichas de Puskás nos arquivos da época. É interessante quando o filme mostra as críticas escritas na ficha (por exemplo, sobre o "individualismo" do jogador/militar) e, logo em seguida, os depoimentos dos companheiros elogiando o espírito coletivo do amigo.

Os tempos eram duros e a repressão, fortíssima. A execução de um dos jogadores da seleção húngara, Sándor Szűcs, em 1951, tinha sido uma demonstração muito clara disso. Puskás e os demais jogadores também estavam sempre na mira do regime - fosse em território húngaro ou nas oportunidades de viajar para o exterior. Em 1957 os jogadores do Honvéd fizeram uma excursão na América do Sul, começando pelo Rio, e... bem, esse artigo no Terra Magazine conta mais e contextualiza o futebol da Hungria naquela época.

Depois veio o exílio, com um longo período sem jogar devido a uma punição da FIFA (mais aqui) e o crédito de confiança do Real Madrid. Puskás agarrou essa chance e construiu uma carreira de 9 anos no time. Agora conhecido como "Pancho", tornou-se um dos jogadores mais queridos por lá - o que não era difícil, com seu jeito bonachão e amistoso. Tentou também o comércio (chegou a montar um restaurante) e viu que não levava muito jeito para a coisa. Manteve-se no futebol, como técnico em diversos países, e conseguiu bons resultados - como a campanha do Panathinaikos, da Grécia, que chegou à final da Copa da UEFA em 1971. A passagem pela Austrália, o retorno à Hungria - onde morreria após ser vitimado pelo Alzheimer -, depoimentos de ex-jogadores como Beckenbauer, Pelé, Platini... isso também é mostrado em Puskás Hungria.

Gostei muito desse documentário. Esclarecedor, sem querer pegar o espectador pela mão para pensar no seu lugar. Mostra e provoca emoções sem explorar os depoentes. Edição muito boa. A versão brasileira tem alguns probleminhas nas legendas, mas nada que comprometa o entendimento do filme. Recomendadíssimo! E aos emotivos, um aviso: não se esqueçam da caixa de lenços!

Algumas observações:

- nos créditos finais vem a informação de que as duas netas de Puskás não falavam húngaro. Mais de uma vez tive a impressão de que os húngaros se sentem meio frustrados quando veem um descendente que não fala o idioma, numa espécie de sentimento de perda (comentei aqui).

- Pesquisando sobre a única filha, Anikó, descobri que ela faleceu em 2011, após lutar contra uma longa doença :-(     - mais aqui e aqui.

Ficha técnica: Puskás Hungria ("Puskás Hungary"). (2009). Direção: Tamás Almási. Documentário, 116 minutos. Versão com legendas em português.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Uma brasileira na Hungria - Duda Amorim

Sziasztok!

De volta, depois de um longo tempo sem postar aqui.
O post de hoje é bem simples: dois videozinhos (que não consegui incorporar de jeito nenhum; estão na forma de links). E o tema é... esporte!

Quando se fala em handebol no Brasil, as pessoas pensam logo em educação física no colégio, esporte universitário... mas na Europa ele tem uma estrutura profissional bastante forte - e boa parte dos atletas brasileiros jogam por lá.

A Duda Amorim, da seleção brasileira, joga desde 2009 no Győri Audi ETO KC. É o mesmo time da Anita Görbicz, uma das atletas húngaras mais populares. E essa é a chance de mostrar um vídeo com alguém de terras brazucas falando húngaro! Aqui uma reportagem sobre o novo técnico da equipe, um espanhol que, junto com as jogadoras estrangeiras, tenta aprender o idioma. A Duda aparece aos 4:30 entrevistando o técnico. O vídeo tem cenas das aulas também.

Mais sobre a rotina da jogadora e a popularidade do handebol na Hungria neste vídeo.

PS: De uns anos para cá, as emissoras resolveram não mais divulgar o nome dos patrocinadores, mesmo quando incorporados aos nomes dos times. Para esportes menos populares fica bem mais difícil viabilizar um time, já que os patrocinadores perdem o interesse. Se a Audi patrocina o Győri ETO, qual o problema de aparecer o nome da empresa? Já aqui, o basquete Uniceub vira Brasília... aí complica.




terça-feira, 6 de novembro de 2012

Excursão noturna às colinas Mecsek

[Continuação do post sobre a programação do curso]

Depois do city tour, tivemos um outro passeio na primeira semana: uma visita noturna às colinas Mecsek. Pécs está situada numa planície cercada a norte por essas colinas, e parte da cidade está situada na parte íngreme. E é bastante íngreme! Sabe aquelas ladeirinhas a 89 graus? Pois é...

A subida passou por uma região de sobrados com quintais um pouco maiores, alguns deles com aviso de quartos para alugar (acredito que para os estudantes). No alto das colinas existe um parque onde participamos de uma espécie de gincana: fomos divididos em grupos e tivemos os olhos vendados - exceto o líder de cada grupo, que tinha que nos orientar pelo percurso. Foi dureza, mas nada impossível! Outra dureza foram uns insetos (meio parecidos com traças) que ficaram nos picando. Foi só no começo, depois os bichos nos esqueceram! Vai entender.

Depois fizemos uma trilha na floresta e encontramos outros trilheiros no caminho.

Alguns links:
- http://www.pecs-mecsek.hu - esse pessoal organiza passeios "reais e virtuais"
 
-http://www.360cities.net/image/overview-on-the-city-of-pcs-from-the-surrounding-mecsek-mountains-hungary#-41.89,1.23,70.0  (passeio virtual 360 graus)

Algumas fotos. As do passeio noturno não ficaram boas.




Por enquanto é só. Fui!

domingo, 4 de novembro de 2012

Aula de esportes

Este post é continuação deste aqui, sobre a programação do curso.

Às terças-feiras, tínhamos a opção de fazer uma atividade orientada por uma professora de Educação Física. Infelizmente não sei o nome dela - sei que era magrinha, simpática, de óculos e o filhinho dela estava sempre por perto. Ela procurava dar as instruções em húngaro (coisas como "para frente", "para trás", "uma perna", "a outra perna", etc), mas falava inglês também.

Comecei pagando um mico discreto pouco antes da primeira aula. "Discreto" porque pouca gente soube da confusão que fiz... a aula era de "trampolim". Pensei que teria que saltar numa piscina e, mesmo com medo, fui com o maiô por baixo da roupa. E calcei chinelos, claro.

Só que o tal "trampolim" era, na verdade, uma aula de jump!

Na primeira aula, o local estava lotado e não havia jump para todo mundo. Foi preciso dividir a turma em grupos. A segunda semana teve aula de pilates e o quórum já era bem menor. A terceira foi de exercícios para a coluna e a quarta seria de fit ball, mas a pessoa que tinha a chave da sala de equipamentos não estava e a aula foi feita com bolas menores, como aquelas usadas em ginástica rítmica. 

Participei de todas. Apesar de estar sedentária e fora de forma, não cheguei a ficar dolorida - mas senti o esforço de alguns abdominais, sim. Achei bom ter participado, já que ficava tanto tempo sentada; e achei triste tanta gente ter desistido no meio do caminho (na última aula éramos só duas participantes), já que a professora era tão dedicada! Mas também, com o calorão que fazia, muita gente preferia fazer exercícios na piscina do clube. (Falei um pouco sobre o acesso ao clube aqui).

Sobre as aulas de esporte, é só. Quem quiser participar, não se esqueça de trazer um par de tênis e, claro, levar uma garrafa d'água!